Artes à Rua
Foto: CÂMARA MUNICIPAL DE ÉVORA | GC | HO

Artes à Rua: há um novo verão por descobrir no Alentejo

Decorre até 6 de setembro, em Évora, o Artes à Rua, um Festival de Artes Públicas ainda recente no panorama cultural da cidade, mas que conta já com mais de 50 criadores e agentes culturais e mais de 150 momentos de teatro, música, dança e literatura.

O Festival, cuja segunda edição decorre este ano, tem como principal objetivo “potenciar o acesso à Arte e à Cultura” disse-nos em entrevista Luís Garcia, assessor do vereador da cultura da Câmara Municipal de Évora (CME), e Eduardo Luciano, um dos organizadores do evento. É, por isso, um festival inteiramente gratuito e que, em colaboração com a CME, oferece à população eborense (e não só) um conjunto vasto de novas criações artisticas. Desde música, a teatro, cinema, dança e performance, o Artes à Rua é um festival único porque reúne uma longa lista de criadores locais e os coloca em ação em espaços inesperados do quotidiano.

Évora recebe, assim, nomes de destaque como Salvador Sobral com o seu projeto Alma Nuestra, David Murray e Saul Williams, Ricardo Ribeiro, Viviane canta Edith Piaf, entre outros.

Mas o Artes à Rua vai mais longe, e procura também ser uma montra para novos artistas locais. Exemplos disso são o espetáculo Subsolo, interpretado por Carolina Figueiredo e Mafalda Mósca, alunas do curso de Teatro da Universidade de Évora, no passado dia 2 de agosto e Guitarras ao Alto, cuja abertura foi feita pelo músico eborense João Grilo. Mais: existem ainda momentos onde é possivel a participação direta dos moradores em espetáculos como A Viagem do Elefante, teatro adaptado da obra homónima de José Saramago e que acontece a 31 de agosto, pelas 22h, na Praça do Giraldo.

Decorrem, simultaneamente, três outros festivais na cidade: Évora África (Casa de Cadaval), o Alentejo Festival Internacional de Artes (CDCE) e o Art Fest Patrimónios (Associarte), que se cruzam com o Artes à Rua, dando origem a uma criação conjunta e da qual nascem espetáculos como o de Sara Tavares, no próximo dia 25 de agosto, pelas 22h, também na Praça do Giraldo.

Para além destes espaços de encontro, existem ainda momentos de criação em laboratório que resultaram em três residências artísticas e que são também uma particularidade do festival. Ainda por acontecer está uma dessas residências – Plint com Orquestra Sinfónica dos Conservatórios de Évora e Baixo Alentejo. Vai ter lugar dia 24 de agosto, na Praça do Giraldo, pelas 22h.

Artes à Rua: um novo olhar sobre o património

Nas palavras de Luís Garcia, o o Artes à Rua é também “um caminho para provocar uma discussão sobre o que é o património”. Espaços públicos do quotidiano, banais e tantas vezes distantes ao olhar de quem passa são assim convertidos em pontos de paragem, partilha e discussão. Desde praças, a largos, jardins ou até espaços polémicos como as Termas Romanas, a arte extravasa as salas de teatro, percorrendo espaços inesperados, numa tentativa de promover o diálogo crítico sobre o espaço que é de todos.

Sabina Berman, jornalista e escritora mexicana, escreveu no seu discurso para o Dia Mundial do Teatro em 2018: “hoje, no limite final do Humanismo- da era do Antropoceno- da era em que o ser humano é a força natural que mais se transformou e transformou o planeta- a missão do teatro é oposta aquela que reuniu a tribo inicialmente para fazer teatro na caverna: hoje devemos resgatar a nossa conexão com a natureza”. E é precisamente esta a premissa do espetáculo de encerramento do Festival. Antropocenas, uma “palestra dançada”, decorre no dia 6 de setembro no Teatro Garcia de Resende, pelas 22h e termina com um debate aberto sobre o Homem, a atual crise climática e futuro.

Artes à Rua
Foto: divulgação

O Artes à Rua revela-se, assim, uma possibilidade de encontros: o encontro com a palavra, com o pensamento livre, com o outro, trazendo à rua dezenas de moradores e visitantes durante quase dois meses de espetáculos culturais. É para além disso, diz-nos Luís, “um desígnio estratégico para Évora na construção de um bom caminho para a candidatura da cidade a Capital Europeia da Cultura”, em 2027. O cartaz completo do Festival pode ser consultado aqui.

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