Ser vegetariano ou vegano é fácil quando a alimentação se adapta à rotina e à oferta do país em que se reside. Mas manter este tipo de alimentação no estrangeiro (sem passar fome) pode ser um desafio. O Espalha-Factos dá-te sete dicas para preparares a tua viagem.

1. Escolha do destino

A primeira dica relaciona-se precisamente com o cerne da questão: o destino. O objetivo de uma viagem é conhecer um país, mas neste caso é preciso ter algumas precauções.

Há países onde o conceito e a prática da alimentação vegetariana e vegana estão mais presentes na sociedade do que em outros. A Oliver’s Travels elaborou uma pesquisa sobre os países mais amigos destes tipos de alimentação. Selecionámos alguns dos melhores países para descobrires e manteres os teus hábitos nutricionais.

No que diz respeito à Europa são vários os países onde a oferta gastronómica é feita também a pensar no vegetarianismo e veganismo. Entre eles está o Reino Unido, na costa noroeste do continente europeu, onde já há muitas alternativas que substituem o típico pequeno-almoço inglês ou o fish and chips (peixe com batatas fritas);

África: nas Ilhas Seychelles, um país insular no Oceano Índico ocidental, a comida tem sabores fortes, quer do picante, quer das especiarias; em São Tomé e Príncipe, no Golfo da Guiné, há um grande consumo da típica fruta-pão.

Ásia: na Tailândia, país do sudeste asiático, o arroz tem uma grande presença nos pratos típicos; na Malásia, também no sudeste asiático, a gastronomia tem uma grande influência da cozinha chinesa, indiana, tailandesa, javanesa e indonésia;

Oceânia: Austrália está muito ligada à bush food – que os australianos denominam de bush tucker – que consiste em várias frutas e legumes consumidas pelos aborígenes (indígenas australianos).

América: ironicamente no Peru, país da América do Sul, é fácil ter uma alimentação vegetariana ou vegana e neste país há uma grande influência da gastronomia espanhola, italiana e japonesa; Belize, na América Central, a cozinha é influenciada pela Guatemala e pelo México devido à proximidade.

2. Avião

Se decidires ir, por exemplo, para a Tailândia, esperam-te inúmeras horas de voo e comida a bordo. É possível pedir no momento da reserva do voo – com uma antecedência mínima de 24h – que a companhia aérea garanta uma refeição vegetariana ou vegana.

Desta forma, garantes uma boa refeição e não ficas limitado às bolachas e aos refrigerantes servidos durante o voo.

3. Alojamento

Hotel ou Airbnb? Qualquer escolha é válida. Apenas é preciso ter alguns aspetos em conta.

No caso de se optar por um hotel, a escolha deve recair – além de muitos outros fatores, como o preço – sobre a oferta alimentar. É importante perceber se o pequeno-almoço vai além de ovos, fiambre, manteiga ou iogurtes.

Outro aspeto importante é saber o plano da viagem: comer no hotel ou na rua. Se a escolha for o hotel, há várias formas de saber se têm na carta opções vegetarianas ou veganas – quer através da internet, quer ligando para o mesmo.

Escolher o Airbnb pode ser a opção mais segura. Desta forma, podes confecionar as refeições, ou prepará-las para levar na mala durante os passeios.

4. Cultura – o que é para uns, não é para outros

O conceito de vegetarianismo e veganismo não é claro em todos os países. Em muitos deles a carne e o peixe são a base da alimentação e o povo não se questiona em que consiste esta alimentação. Pode também acontecer que não saibam a distinção.

Poderia bastar explicar os conceitos a quem se está a pedir a comida, mas ainda assim pode ser arriscado. O inglês também é um risco. O pensamento de que saber falar inglês salva a comunicação em qualquer país pode ser traiçoeiro. Em algumas culturas o inglês não é a principal língua aprendida ou existe mesmo, por outras razões, um domínio incipiente do idioma.

Uma das estratégias para comunicar melhor é usar a palavra-chave “sem”. Sem carne, sem peixe, sem marisco, sem ovos, sem queijo, etc.

Outra delas é perguntar os ingredientes. Mesmo que quem está a servir saiba o que é o vegetarianismo e veganismo, pode não associar que determinados alimentos têm origem animal. É o caso da gelatina, da manteiga ou dos caldos de galinha.

5. Aplicações e sites

Através da internet é muito mais fácil planear as viagens antecipadamente. À distância é possível saber os pontos de interesse de cada país e que restauração existe perto destes.

  • Planear o itinerário: o Googletrips além de ter sugestões sobre o que fazer e onde comer e beber, permite fazer reservas diretamente pela app; Tripwolf é semelhante, tendo também mapas e fotografias dos locais e permite planear tours; Musement está disponível em mais de 350 países, permite comprar bilhetes para eventos e reservar mesa em restaurantes e bares; HappyCow é indicado para procurar restaurantes perto de um determinado local; Yelp é uma plataforma semelhante à anterior, mas permite também pedir entregas ao domicílio; TimeOut, é uma app onde se pode selecionar os locais favoritos para visitar mais tarde e colocar alguns filtros, como o preço ou as avaliações.
  •  Restaurantes: TripAdvisor, Misk, Foursquare city guide, Zomato – todos eles dão a conhecer restaurantes de vários países, bem como as classificações e comentários. Permitem adicionar filtros que ajudam na pesquisa de restaurantes vegetarianos e vegan.
  •  Comunicar: GoogleTradutor para traduzir de forma rápida algum conteúdo desconhecido; Tradutor e Dicionário é importante para perceber o que nos estão a querer dizer, dado que algumas palavras tem outros significados em diferentes culturas.

6. Levar alguns mantimentos na mala

Quando não se sabe o que esperar da restauração de cada país, mais vale prevenir. Mesmo com alguma pesquisa, podem haver algumas surpresas. Além disso, encontrar o sítio indicado para comer um bom prato vegetariano ou vegano pode levar algum tempo se não for planeado.

Levar alguns snacks na mala é por isso outra das dicas. A esta junta-se a dica de poupar em restaurantes e fazer sandes ou refeições práticas no local de hospedagem.

7. Provar a gastronomia local

Nem toda a gastronomia envolve carne, peixe, ovos ou lacticínios. É possível provar algumas das iguarias – desde os petiscos, passando pelas sobremesas, até às bebidas – mas sem esquecer de verificar com um nativo quais os ingredientes.

Se o destino for, por exemplo, a Finlândia – outro dos países onde o vegetarianismo e veganismo está muito presente – há opções gastronómicas que se podem provar.

Alguns tipos de vegetarianos podem provar a Riisipiirakka. É um pastel tradicional recheado com arroz ou batata e pincelado no fim com uma mistura de leite e manteiga.

Os veganos podem provar a Sima. Uma bebida fermentada feita com limão, fermento, passas de uva, açúcar branco e mascavado e água.

Também é possível pedir algumas receitas sem determinados ingredientes de origem animal. Apesar de não ser a receita original, já deixa um gostinho da gastronomia local.