Cem Soldos está prestes a encher-se de música portuguesa, com o festival Bons Sons a começar já na próxima quinta-feira. De 9 a 12 de agosto, a aldeia pertencente ao concelho de Tomar abre as fronteiras e deixa entrar festivaleiros, famílias, música, exposições, cinema, teatro, jogos e, sobretudo, muito do que se faz de melhor no panorama artístico nacional.

O festival nasceu em 2006 e foi criado no âmbito do programa cultural “Acontece Cem Soldos”, então desenhado para a comemoração do 25º aniversário do SCOCS (Sport Club Operário de Cem Soldos). Desde então que a organização do evento cabe ao SCOCS. Este ano, o festival conta com a sua nona edição, tendo já albergado 278 concertos e 238.500 visitantes até hoje.

Quem por Cem Soldos já passou durante o segundo fim de semana dos meses de agosto, certamente conhece palcos como o MPAGDP (Música Portuguesa A Gostar Dela Própria), o Aguardela, o Giacometti ou o Lopes-Graça. Contudo, e como o Bons Sons gosta de sublinhar, o festival é marcado pela renovação. Este ano não é exceção. Em substituição do Palco Eira surge o Palco Zeca Afonso, situado logo atrás da sede do SCOCS, assim batizado com o intuito de homenagear o cantautor.

Da mesma maneira, o Palco Tarde Ao Sol passa a chamar-se Palco Amália, o nome “mais internacional da música nacional”, que assim fica homenageado no festival. Também o Auditório Cem Soldos muda a denominação para Auditório Agostinho da Silva, após o famoso pensador português. Este espaço vai servir uma programação ligada às artes performativas, cinema e atividades dedicadas aos mais novos.

Há ainda que sublinhar a existência do Palco Garagem, destinado aos festivaleiros, onde qualquer pessoa ou grupo pode mostrar o seu talento musical aos que por lá passam, com todas as condições asseguradas pela organização.

Fotografia: João Duarte

(Nem só) De música se vive Cem Soldos

No que toca a artistas, o leque de opções do Bons Sons é mais que variado. Entre cabeças de cartaz e nomes mais emergentes, o que não falta é música para todos os gostos. Tudo isto com o selo de qualidade lusitano.

O festival começa de véspera com uma festa de receção ao campista, com a participação da banda Os Zhéróis 2.1., vencedores do festival Por Estas Bandas, e da Cover de Bruxelas DJ Crew, baseada no programa com o mesmo nome que passa semanalmente na Rádio Universidade de Coimbra.

No dia 9, o primeiro do Bons Sons, o cartaz é encabeçado por Slow J, Salvador Sobral e Selma Uamusse. Nas entrelinhas, é ainda possível encontrar atuações de Lince, Jerónimo e Xinobi, que encerra noite inaugural do festival com um dj set. Sara Tavares e Mazgani são os artistas principais do segundo dia (10), o mais longo do festival – a primeira atuação (Patrícia Costa) começa às 14 horas e a última (Forol DJ Set) às 3h45. O dia 10 também conta com participações de S. Pedro, Norberto Lobo e 10 000 Russos, entre outros.

No sábado (11) são cabeças de cartaz PAUS, Sean Riley & The Slowriders, Cais Sodré Funk Connection e Zeca Medeiros. Destaque ainda para as atuações dos emergentes quartoquarto e de Conan Osiris. No último dia do festival (12) sobem ao palco Linda Martini, Dead Combo e Lena D’Água e Primeira Dama com a Banda Xita. Performances de Luís Severo, Peltzers, Moonshiners e mais surgem para completar o alinhamento.

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Para além de toda a música, o evento dispõe ainda de várias atividades ao longo dos quatro dias de festival, destinadas a todas as idades. As manhãs do Bons Sons, por exemplo, são dedicadas aos mais novos, com Música para Crianças a acontecer todos os dias no Armazém.

Outra hipótese é descobrir a aldeia num passeio com Burros de Miranda que, tal como as gentes de Cem Soldos, no seu jeito pacato, criam facilmente uma empatia com os festivaleiros. Exposições, espetáculos e workshops, como o Materiais Diversos, o Curtas em Flagrante, o Palco para Bandas Imaginárias ou o Bestiário à Solta também estão incluídos na oferta do evento. Este ano, voltam ainda os famosos Jogos do Hélder e a Feira de Marroquinarias e Artesanato.

Com cerca de 600 habitantes, Cem Soldos não deixa que ninguém passe sem dois dedos de conversa. Durante os quatro dias de amor de verão, o Espalha-Factos, tal como mais de metade dos que lá vão pela primeira vez, vai voltar a marcar presença no festival para ouvir e contar as histórias de quem vive e viveu a aldeia à sua maneira. As portas estão abertas.