Poucas horas antes do seu concerto de estreia na Invicta, Marcus Bridge, vocalista da banda australiana Northlane passou uns minutos à conversa com o Espalha-Factos. O músico falou sobre o novo single da banda, Vultures, os fãs portugueses e hobbies.

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Espalha-Factos: Primeiramente, muito obrigado pelo tempo e disponibilidade! Há apenas cinco dias começaram a vossa tour europeia. Como correram os voos e viagens de carro?

Marcus Bridge: De nada! Não foram maus, o nosso voo inicial da Austrália é sempre muito longo. Foram mais de 24 horas para chegar à Europa. Passamos uns dias na Alemanha antes de virmos para Portugal e foi tudo muito descontraído. Ainda só passaram poucas horas desde que chegamos de Lisboa e está a ser ótimo poder explorar a cidade e ver toda esta arquitetura lindíssima.

EF: Sendo estes os vossos primeiros concertos em Portugal, como foi a reação dos fãs? Ultrapassaram as vossas expectativas?

Marcus: Quando tocas pela primeira vez num país novo nunca sabes muito bem o que esperar, especialmente em lugares como Portugal onde muitas bandas raramente cá tocam. Apesar disso, é óbvio que os fãs são incrivelmente apaixonados pela música e estão muitos
felizes e gratos por cá virmos e isso é tão reconfortante de sentir, independentemente do tamanho do espetáculo. Ver as pessoas a adorarem cada segundo, como se fosse o último que fossem ver na sua cidade é algo fantástico de ver.

EF: Há duas semanas lançaram o vosso novo single, Vultures. Esperavam toda a reação positiva que tiveram, sendo uma música um pouco diferente das do último álbum, Mesmer?

Marcus: A Vultures é uma música que, quando a criámos, ficámos automaticamente muito orgulhosos dela. Tínhamos tirado uma pausa na Austrália para relaxar e para recarregar as energias para outra tour e não estávamos a planear gravar algo novo nesse período. Apesar disso, criámos esta música e como a adoramos tanto decidimos lançá-la o mais rápido possível. A reação que temos recebido tem sido incrível. Quando uma banda começa a seguir uma certa direção, por vezes começam a decidir usar menos e menos guturais, as pessoas começam a esperar isso. Com esta música, penso que apanhámos muita gente desprevenida porque não tem partes cantadas, algo que já não fazíamos há uns anos.

EF: Devido à agressividade?

Marcus: Nunca temos a certeza. Esta música em particular é sobre algo que todos acreditamos muito: quebrar as expectativas que as pessoas têm de nós mesmos e, com isso, naturalmente que a música seria mais agressiva. É apenas um single e não estará ligada ao próximo álbum. Apesar disso, queremos explorar temas mais negros e sombrios, tanto pessoalmente ou como numa visão nossa de um problema global. Ainda haverá o lado melódico, mas sim, podem esperar uns Northlane mais pesados no próximo álbum, seja lá quando for o momento de o escrever.

EF: Lançaram tanto o álbum Mesmer como a música Vultures do nada, sem anúncios. Isto é algo que planeiam explorar mais no futuro? (sem estragar a surpresa)

Marcus: Essa foi novamente daquelas ocasiões em que apenas queríamos lançar o material. Acredito que o que formos fazer a seguir não será uma surpresa. Se tornarmos a repetir o passado, não será uma surpresa porque as pessoas já vão estar à espera. Não sei quando sairá o nosso próximo trabalho, mas será de uma maneira interessante.

EF: Esta tour em que se encontram engloba tanto concertos mais pequenos como festivais. Qual dos dois preferes?

Marcus: Depende, mas recentemente tenho gostado mais destes pequenos. Quando são concertos pequenos e és o cabeça de cartaz, a maioria das pessoas estão lá para te ver e isso traz muito mais energia e vozes a cantar as letras para ti. Há muita paixão e todos vibramos imenso com isso. Mesmo assim, adoro festivais porque estás a trazer a tua música para muita gente que, se calhar, nunca ouviram falar da tua banda.

EF: Quando chegam a uma cidade e têm horas para queimar antes do concerto, o que costumam fazer?

Marcus: Depende de onde estamos. Como hoje, por exemplo, estamos no meio da cidade, podemos explorar e ficamos maravilhados. Não temos nada assim na Austrália. Algumas destas casas até podem ser mais velhas que a própria Austrália (risos). É sempre ótimo poder fazer turismo. Quando estamos no meio do nada, tento relaxar e fazer o que poder para não ficar aborrecido: jogar Fortnite ou estar no telemóvel.

EF: Para terminar: para ti, que bandas merecem o reconhecimento que estão a receber e que bandas deviam receber mais?

Marcus: Para mim, os Parkway Drive merecem todo o reconhecimento que recebem. Foram das primeiras bandas de hardcore/metalcore que eu alguma vez ouvi. Vi-os uma vez na MTV na Austrália a tocarem a Smoke Them If You Got ‘Em (por volta de 2005) e lembro-me de pensar “isto não devia de passar na TV” (risos). Vê-los desde que começaram e onde estão
agora é tão inspirador. Uma banda que já tem mais de dez anos trabalhar tanto e sempre com tanta paixão. A primeira tour que fiz com os Northlane foi a abrir os Parkway e foi uma experiência intimidante, mas vê-los todas as noites ensinou-me tanto.

Agora outras que merecem mais reconhecimento… Há algumas bandas mais pequenas australianas, incrivelmente talentosas, que estão a crescer cada vez mais, como, por exemplo, Ocean Grove, Polaris, Thornhill. Há tantas bandas novas na Austrália que eu, com a sua idade, não conseguiria fazer o que fazem. Todas elas têm lançado álbuns de extrema qualidade.

EF: Marcus, muito obrigado pela entrevista. Foi um prazer e bom espetáculo!

Marcus: De nada, vejo-te lá dentro! (risos)

Entrevista por Rui Carneiro e Fotografia de Ana Fonseca