A defesa de Harvey Weinstein apresentou, esta sexta-feira (3), uma moção para dispensar as acusações de abusos sexuais. O principal argumento dado pelo seu advogado é o de que a parte acusadora errou ao não mostrar ao grande júri e-mails que diz serem amigáveis entre o produtor de cinema e a alegada vítima.

O advogado de Harvey Weinstein, Benjamin Brafman, tinha obtido permissão, na última quinta-feira, para incluir esses e-mails na moção, dada por um juiz de insolvência do estado de Delaware, dos Estados Unidos da América.

A acusadora, apelidada no documento de ‘Complaining Witness 1’ (Testemunha Acusadora 1), afirma que Harvey Weinstein a violou num quarto de hotel em 2013. Por outro lado, o advogado do produtor já tinha assegurado que a mesma tinha mantido uma relação consensual com o seu cliente durante dez anos.

Na moção, podem ler-se cerca de 40 mensagens enviadas pela acusadora a Weinstein. “Eu amo-te, amo-te sempre. Mas odeio sentir-me como uma ‘booty call’ [recompensa]“, escreveu a acusadora no ano passado, de acordo com a mesma moção. Deste modo, e através de mais exemplos de conversas entre os dois, Benjamin Brafman sugere que o grande júri deveria ter dado oportunidade de questionamento à acusação acerca desta troca de correio eletrónico.

Apesar de tal não refletir as palavras ou os sentimentos do Sr. Weinstein, ao usar o termo ‘booty call’, a testemunha acusadora parece reconhecer a natureza consensual e íntima da sua relação com o Sr. Weinstein e talvez, de forma mais importante, tenha assinalado o seu desejo por uma relação mais completa e emocionalmente comprometida“, escreveu o advogado. A Procuradoria do Distrito recusou, ainda assim, responder à moção.

Atualmente, o famoso produtor de cinema enfrenta seis acusações efetivas relativas a crimes sexuais, vindas de três alegadas vítimas. Se a acusação vencer, Harvey Weinstein pode ser condenado à pena de prisão perpétua.