Iniciada em 1996, baseada no produto televisivo homónimo, a série Missão: Impossível é um caso raro de longevidade na Hollywood contemporânea. Tendo cimentado Tom Cruise como protagonista do cinema de ação, e a somar até à data quase três mil milhões de dólares em bilheteira, à sexta entrega a série parece mais fresca que nunca. Contando com regressados da série e novos personagens, Fallout teve na semana passada a melhor abertura de um Missão: Impossível nos Estados Unidos, e chega agora finalmente a Portugal, na promessa de inflamar o mercado dos blockbusters de verão.

Dois anos depois dos eventos de Nação Secreta, quando Ethan Hunt (Cruise) capturou com sucesso Solomon Lane (Sean Harris), o resto do Sindicato reagrupou-se com outra organização, os Apóstolos; sob a liderança de um misterioso fundamentalista conhecido apenas por John Lark, a organização planeia adquirir três núcleos de plutónio. Hunt e a sua equipa da IMF são enviados a Berlim para os intercetar, mas a missão falha quando Hunt salva Luther (Ving Rhames) e os Apóstolos escapam com o plutónio. Juntando-se o agente da CIA August Walker (Henry Cavill) à equipa, Hunt e os seus aliados têm agora de encontrar os núcleos antes que seja tarde de mais.

missão impossível fallout

Fonte: Divulgação/NOS Audiovisuais

Primeiro realizador a regressar na série, Christopher McQuarrie (vencedor do Oscar por Melhor Argumento Original por Os Suspeitos do Costume, 1995) realiza a sua terceira obra produzida e protagonizada por Cruise, e é visível a coesão desta colaboração artística. Por esta altura, Cruise está mais que consolidado como a cara da série, mas McQuarrie pela segunda vez apresenta-se como cineasta de grande visão. A ânsia de conseguir o melhor e mais incrível do seu protagonista, numa série que vive deste, eleva-se, culminando naquele que é um tremendo blockbuster e marco instantâneo do cinema de 2018.

O CGI estará lá, em poucas doses, queremos acreditar, mas nem se dá por ele; há uma diferença entre Missão: Impossível – Fallout e a maioria dos seus “irmãos”, como o Arranha-Céus deste mesmo verão: é incrivelmente realista. Tudo parece impossível, mas, ainda assim, assente no limiar do possível, o balanço tão díficil que há 22 anos que cativa as audiências.

Cruise dispensa duplos para os seus stunts incríveis, e em Fallout volta-se a subir a fasquia; quer estejamos a falar de um HALO jump ou de uma perseguição de helicóptero, há aqui sequências de verdadeiramente cortar a respiração, exacerbadas até ao limite em glorioso IMAX. Numa era em que tantas vezes o cinema de ação consegue parecer repetitivo e desinspiradamente conseguido, uma montagem exímia e cinematografia exuberante, maioritariamente em película 35mm, agarram constantemente a atenção, mais uma das forças a destacar em Fallout.

Das relativas qualidades da nova entrega de Missão: Impossível, à semelhança dos episódios anteriores, é também o facto de ter um enredo cativante. É verdade, não se trata da descoberta da pólvora; as reviravoltas em tanta abundância no argumento de McQuarrie por vezes saem furadas, se bem que nunca baratas, gerando um fio narrativo que nunca desce o nível ao longo de quase duas horas e meia. O rumo de personagens já conhecidas captam a empatia, e novas chegadas trazem a dúvida, numa trama de poucas subtilezas mas que cumpre sempre o propósito.

O reparto é mais que competente, sobressaindo Rhames como Luther, enquanto voz da razão, e Simon Pegg como Benji, desde 2006 o comic relief da série. Cavill enquanto Walker revela-se, numa das suas melhores composições até à data, um misterioso agente de fora que aparenta ter uma agenda secreta. Mas ninguém no elenco consegue ofuscar Cruise como Hunt.

Poderá não ser o melhor ator do mundo – três nomeações ao Oscar falam por si, no entanto – mas depois de um dos maiores desempenhos da sua carreira no ano passado, em Barry Seal: Traficante Americano, e de tantos e variados papéis no cinema contemporâneo, é difícil não encará-lo como talvez o maior ator do mundo. A abeirar-se das seis décadas de existência, numa época em que tanto se apregoa a morte do star power, Cruise continua a garantir audiências. Mesmo em fracassos críticos recentes, como Jack Reacher: Nunca Voltes Atrás e A Múmia, está lá sempre toda a sua dedicação, já digna de lenda, e é seguro dizer que Fallout será das obras pelas quais será recordado.

missão impossível fallout

Fonte: Divulgação/NOS Audiovisuais

Mais uma missão impossível, outra instância de escapismo cinematográfico no seu estado mais primário, mas Fallout nem por isso é um produto menor da máquina de fazer filmes de Hollywood; pelo contrário, é pois um dos filmes do ano.

Uma fita de ação pura e dura, tecnicamente irrepreensível, e ancorada numa performance plena de entrega do seu mítico protagonista, sempre pronto para salvar o mundo, uns 15 minutos de adrenalina de cada vez.

Não andem para o cinema, corram. À Tom Cruise, mesmo.

 

8/10

Título original: Mission: Impossible – Fallout
Realização: Christopher McQuarrie
Argumento: Christopher McQuarrie
Elenco: Tom Cruise, Henry Cavill, Ving Rhames, Simon Pegg, Rebecca Ferguson, Sean Harris, Angela Bassett, Vanessa Kirby, Michelle Monaghan, Wes Bentley, Frederick Schmidt, Alec Baldwin
Género: Ação, Aventura, Thriller
Duração: 147 minutos

Missão: Impossível - Fallout
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