O jornal The Times revelou sketches do filme Monty Python e o Cálice Sagrado (1975) que não chegaram à sua versão final. Entre as descobertas, presentes nas notas de guião de Michael Palin, um dos seis argumentistas do filme e membros originais do grupo de comédia homónimo, estava um final alternativo ao da versão definitiva, que porventura era mais caro. O tesouro cinematográfico surge mais de 40 anos depois da estreia do filme.

Ficou ainda na gaveta da escrita uma personagem perdida: Pink Knight, um cavaleiro cor-de-rosa que ordenaria o lendário líder da Grã-Bertanha King Arthur, que é também uma das personagens centrais do filme, a beijá-lo na boca para ele poder atravessar a ponte como deseja. Mas a personagem acabou por ser retirada, porque, segundo consta, se parecia demasiado com Black Knight, outra figura da história de Monty Python e o Cálice Sagrado.

Saído na ressaca da série televisiva Os Malucos do Circo (1969-1974), este filme é por muitos considerado a grande obra do grupo de comédia Monty Python, a par de A Vida de Brian (1979).

No entanto, Monty Python e o Cálice Sagrado acaba de forma abrupta, e o The Times veio explicar que essa decisão foi tomada para cortar custos de produção. Parte do projeto foi financiada pelos Pink Floyd, cujos membros eram fãs do grupo, através dos ganhos pelo álbum The Dark Side of the Moon (1973).

O arquivo privado de Michael Palin, onde estão os seus trabalhos cómicos e que está depositado na Biblioteca Britânica, em Londres, vai ser aberto ao público no fim deste mês. O The Times avisa que há ainda por conhecer muitas outras cenas escritas pelo mesmo e por Terry Jones, outro dos seis membros do grupo de comédia britânico e seu habitual companheiro na argumentação.

Um dos sketches agora desvendados previa que a personagem King Arthur tivesse uma atitude muito antiquada e à defesa em relação à homossexualidade. No entanto, Michael Palin salvaguardou que, hoje, tal não teria sido escrito, argumentando também ao The Times que “a atitude estabelecida mudou bastante“.

O argumentista justificou que “quando estávamos a escrever Python em 1973, havia muita mais homofobia – ou talvez não exatamente homofobia, mas constrangimento em ter de lidar com todo o conceito de homossexualidade“.