Balenciaga

Saco de souvenir Balenciaga: plágio ou inspiração?

Demna Gvasalia, o diretor-criativo da Balenciaga e da Vetements, tem-se vindo a tornar emblemático pelo seu estilo irreverente, e até irónico, de tornar qualquer objeto numa peça de alta costura.

As coleções inspiradas no logótipo da marca IKEA e as Crocs com plataforma valeram-lhe o título de “Duchamp do século XXI“. Apesar de várias críticas, principalmente dirigidas ao seu processo criativo, o criador sempre foi aclamado e nunca viu as suas coleções postas em causa — até agora.

Na coleção Resort deste ano, a Balenciaga apresentou um conjunto de 30 looks que se assemelhavam a uma exposição dadaísta. Saias inspiradas em tapetes de carros, sapatos alongados, porporções bizarras e em camadas, com acessórios pouco convencionais aos quais não se podia ficar indiferente. As malas apresentadas, de dimensões exageradas, ou faziam lembrar porta edredões ou os sacos de souvenirs de várias cidades.

Desde outubro de 2015, que Gvasalia introduziu a controvérsia na casa espanhola. A mala inspirada nas lojas de lembranças de Nova Iorque, porém, valeu-lhe acusações de plágio por parte da City Merchandise, Inc.

O gigante do mercado de merchandise americano, que já há 30 anos que está nas ruas de Manhattan, abriu um processo contra a Balenciaga America sexta-feira (27 de julho). Em causa está o alegado plágio da mala que a City Merchandise, Inc considera “virtualmente indistinguível”.

Em traços gerais, as principais diferenças entre os modelos são os preços. A primeira, que pode ser adquirida em qualquer loja de esquina da Big Apple, custa cerca de 17 euros. Por outro lado, a Balenciaga avalia a sua criação em aproximadamente 1665 euros. A diferença astronómica de valores motivou a empresa de souvenirs a exigir indemnizações equivalentes ao lucro desta versão knock-off.

Alyssa Vingan, a diretora e editora da Fashionista.com, toma uma posição essencial nas acusações de plágio sendo inclusive mencionada na queixa formal. Em tom de troça, esta já havia comentado as parecenças óbvias entre “a mala que pode ser adquirida no aeroporto JFK por 19,99$ e a tote bag de 1950$”.

O assunto do plágio no mundo da moda tem sido, desde sempre, uma das maiores preocupações da indústria. Em qualquer metrópole podem-se encontrar falsificações da Louis Vuitton Neville ou da Gucci Boston Bag. A imposição de limites torna-se, então, paradoxal. Demna Gvasalia coloca os mais variados objetos do quotidiano nas lojas da Quinta Avenida. Poderá considerar-se isto plágio, ou será apenas inspiração?

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