Foi revelado, durante a Comic Con de San Diego, o trailer de Aquaman, a próxima produção da Warner Bros. inspirada na banda desenhada homónima da DC Comics.

Todo os anos, a tradição mantém-se. Mais uma Comic Con, novos trailers que estreiam, novas esperanças se criam para o que aí vem no mundo das maiores produções de blockbusters de Hollywood. No caso de Aquaman, esse mundo desce até às profundezas dos sete mares, contando com realização de James Wan, conhecido por ter co-criado a saga de horror Saw.

No trailer, podemos encontrar mais uma vez (a terceira, depois de Batman vs Super-Homem e Liga da Justiça) Jason Momoa como o herói subaquático vestido com calças Denim que fala com peixes – ou pelo menos, como o próprio diz, consegue que a água fale por ele. Apesar de, cronologicamente, a história se desenrolar depois dos eventos do último filme deste universo DC, o trailer confirma que poderemos ver as origens deste super-herói, desde o encontro dos seus pais (Nicole Kidman e Temuera Morrison) até à relação conflituosa com o seu irmão e um dos antagonistas (Patrick Wilson), numa série de flashbacks salpicados ao longo da narrativa.

Será, assim, a primeira vez que o continente perdido de Atlântida aparecerá em todo o seu esplendor azul no grande ecrã dentro deste universo cinematográfico. Se em Liga da Justiça os fãs puderam ver um pequeno canto desse mundo aquático, ainda que inexplicavelmente com cenas de diálogos entre seres marinhos apenas feitas dentro de bolhas de ar, quando o filme estrear em dezembro em Portugal, terão finalmente oportunidade de ver a quase totalidade do reino submerso pelo qual o herói protagonizado por Momoa quer lutar neste recente trailer.

Aquaman e o irmão Orm

Esta entrada de Wan no franchise é bem-vinda. Em pouco mais de dois minutos de vídeo, é notório o estilo rico que até agora não tínhamos visto aplicado a este personagem tantas vezes ridicularizado e até num canto submerso do planeta pouco explorado neste género. Como o próprio admite, o filme transborda de cores e elementos de ficção científica e fantasia que podemos ver em Star Wars ou em Valerian, passando pelas influências de terror do realizador como Creature from the Black Lagoon. Em dois minutos de trailer, as esperanças neste universo foram renovadas.

Nova estratégia, melhor bilheteira?

Não tem sido fácil o caminho deste universo DC no cinema. Tal como outros estúdios e produtoras, também a Warner Bros. quer replicar o sucesso do universo cinematográfico da Marvel/Disney com os super-heróis e vilões que tem no seu catálogo. Ainda que personagens como Batman, Super-Homem ou Joker sejam muito reconhecíveis para qualquer pessoa que nunca tenha lido ou visto um filme de banda desenhada, este universo DC ainda não consegue competir em popularidade crítica e comercial com o da Marvel, como demonstram os números.

Desde 2013, foram cinco os filmes estreados nessa expansão para a sétima arte, com resultados não muito animadores, tanto para o estúdio, como para muitos dos fãs: Homem de Aço, Batman vs Super-Homem, Esquadrão Suicida, Mulher Maravilha e Liga da Justiça. Haverá teorias para todos os gostos, mas a que parece ser mais óbvia para a cópia deste modelo de negócio da Marvel não ter dado certo é porque tentaram saltar etapas de construção de histórias e personagens, produzindo em muito menos anos o que a Disney alcançou com os seus heróis.

Todos os filmes da DC ultrapassaram os 500 milhões de euros em bilheteira, sim, mas continuam longe dos números conseguidos pela Marvel que, com um personagem de nicho como Pantera Negra, arrecadou mais de mil milhões de receitas. Liga da Justiça, a equipa de super-heróis da DC em quase tudo semelhante aos Vingadores, foi o que menos receita gerou em venda de bilhetes.

Mulher-Maravilha, de Patty Jenkins

Dessas cinco produções, apenas Mulher-Maravilha foi considerada muito bem recebida pela crítica e pelos fãs. Realizada por Patty Jenkins, foi muito elogiada por ser uma lufada de ar fresco num mercado completamente dominado por homens, sendo a primeira deste subgénero a ser protagonizada por uma mulher (Gal Gadot), invocando mitologias e imaginários que ainda não tinham sido trazidos para o grande ecrã nesta forma.

Ainda que com um terceiro ato mais fraco que o resto do filme, Mulher-Maravilha trouxe novos e alegres tons a um universo que parecia condenado. Este que foi o maior sucesso crítico da DC desde a trilogia Batman de Christopher Nolan, conquistou ainda grandes resultados na bilheteira, ficando apenas atrás de Batman vs Super-Homem, filme em que surgiu pela primeira vez. As novas cores da heroína trouxeram sucesso crítico e aquilo que verdadeiramente interessa a qualquer estúdio: ter o maior número de pessoas a pagar bilhete para ver o seu filme numa sala de cinema.

Coincidentemente ou não, Mulher-Maravilha foi a única na qual os temas passavam pelo otimismo e pela esperança na raça humana. Em que salvar pessoas era uma obrigação moral e não um sacrifício. E é precisamente nesse espírito de representação do que há de melhor na humanidade que Aquaman parece que irá continuar, ainda que a partir do mar.

Perdido entre os dois mundos dos seus pais, é pela conciliação e compromisso entre raças que o seu caminho enquanto novo governante de Atlântida se fará e que, tal como o filme protagonizado por Gal Gadot, significará que o futuro do universo DC passe mais por ver o herói marino a desfrutar alegremente uma cerveja Guiness do que ver o Super-Homem a salvar pessoas enfadado. Que, para desanimar, já nos basta a vida real.