Depois de Isle of Dogs (2018), Wes Anderson, em conjunto com a sua parceira Juman Malouf, prepara já o seu próximo projeto artístico. Afastando-se dos estúdios de cinema, o realizador será responsável pela próxima grande exposição do Museu de História da Arte em Viena.

The Spitzmaus Mummy in a Coffin and Other Treasures from the Kunsthistorisches Museum será o nome de uma realização artística inédita, onde o casal terá à sua disposição o vasto catálogo de artefatos do museu austríaco.

O anúncio oficial já foi feito. Num vídeo lançado pelo Museu de História da Arte, o curador Jasper Sharp apresenta-nos com um certo secretismo a nova exposição da maior instituição artística da Áustria. Fala de algo “em nada comparável com o que o museu fez anteriormente”.

Uma coleção eclética

Wes Anderson, o realizador americano que tem vindo a desafiar a estética contemporânea, e a designer libanesa Juman Malouf receberam um convite algo insólito por parte dos responsáveis. 14 coleções, mais de quatro milhões de artefatos, reunidos num dos museus de belas-artes mais antigos do mundo, estarão à disposição do casal. Neste sentido, os mesmos são convidados a utilizá-los e, posteriormente, a apresentá-los da forma que melhor entenderem.

Múmias egípcias, tesouros gregos e romanos, pinturas de grandes artistas e instrumentos musicais históricos são alguns dos objetos através dos quais Wes Anderson poderá, mais uma vez, exibir o seu sentido estético peculiar e meticuloso. É, de um modo inquestionável, uma oportunidade única para o mesmo conceber aquilo que são os seus “pequenos mundos”, numa organização das formas e das cores tão preparada como valorizada pelo público.

Contudo, pouco se sabe acerca desse novo “mundo”e assim será até à data de estreia da primeira exposição de Anderson e Malouf, a 6 de novembro.

Já em The Grand Budapest Hotel (2014), a sensibilidade artística dos dois é notável, tendo sido premiados pelo design, pela maquilhagem e pelo guarda-roupa.  Os próprios filmes do realizador são frequentemente comparados a obras de arte.

O convite por parte do museu não surgiu, deste modo,  como algo inesperado, parecendo, de certa forma, que o percurso cinematográfico de Anderson antecipava já um momento como este.