Se nos esforçarmos o suficiente, quase que conseguimos ouvir alguém gritar “falta rock!” lá do fundo. Não falta. Não porque não seja essencial a um festival de verão, não porque a história do Super Bock Super Rock não esteja intimamente ligada a este género musical. Mas porque há, de facto, rock… e não só.

O verdadeiro apanágio de um roqueiro que se preze deve ser estar disposto a sair da sua zona de conforto. Optámos por te dar uma ajuda nesta árdua tarefa de escolher o que espreitar durante os dias 19, 20 e 21, já que os palcos são quatro e pelo meio existem várias distrações em formato líquido – leia-se finos/imperiais. Isto, se o tempo assim o permitir.

A primeira atuação desta edição do Super Bock Super Rock é, precisamente, rock no seu estado mais puro. Perdão, punk rock. Os The Parkinsons, uma das bandas mais relevantes do género no panorama nacional, são feitos de guitarras rápidas e gritos de revolta. Talvez a escolha da banda de Coimbra para o arranque do festival no Palco EDP não tenha sido em vão. Não nos parece que a hora impeça os Parkinsons de fazer a festa do costume.

Ainda no primeiro dia e também no Palco EDP, o rock psicadélico dos Temples promete lembrar-nos que o sol ainda pode brilhar neste julho inconstante. O quarteto foi descrito em tempos por Noel Gallagher como uma das bandas mais relevantes da Grã-Bretanha.

Rótulos à parte, serão, pelo menos, um agradável final de tarde. Tanto para os fãs de The XX, que terão que começar a pensar em guardar o seu lugar na primeira fila do Palco Super Bock e alinhar os respetivos chakras como para os que querem dançar ao som de Justice e não perder aquela oportunidade de usar óculos escuros à noite.

De que maneira se regressa a 2018 e se repõe o equilíbrio que se possa ter perdido numa pista de dança de Justice? Respirar fundo, contar até dez, e ir espreitar Mahalia no Palco Somersby.

Não sendo nova nestas andanças, a cantora britânica é um dos nomes incontornáveis da nova vaga de R’n’B e vem preparar, da melhor maneira, o segundo dia de festival, mais dado a batidas do que a guitarras. Não comecem já a resmungar “falta rock”, até agora ainda não nos desviámos muito dos riffs.

Profjam é um nome bem conhecido das faixas etárias mais jovens. São fiéis, sabem as letras e têm os movimentos característicos do trap preparados. Parece a escolha acertada no Palco EDP para o início de um dia maioritariamente dedicado ao hip-hop. Os beats e os ad-libs (skrt!) lembram-nos que há uma atuação de Travis Scott mais tarde nesse dia no palco principal e que podemos começar a treinar os trap moves sem interferir com o espaço da pessoa ao nosso lado.

Pouco depois, Oddisee, rapper e produtor norte-americano sobe no mesmo palco. Influenciado por nomes como De La Soul ou A Tribe Called Quest e da geração de rappers como Kendrick Lamar ou J. Cole, Oddisee acredita no poder da componente lírica da música. Sediado no hip-hop e no soul, rima sobre desigualdade de género, de raça, capitalismo e violência. Usa a música com uma postura crítica, provando que o rap não pode ser reduzido à superficialidade que atualmente lhe é atribuída por muitos.

Outra das atuações a não perder nesta edição é a de Princess Nokia. Com apenas um álbum de estúdio e algumas mixtapes, é a princesa irreverente que todas as miúdas que anseiam por este dia de festival queriam ser. Depois de uma breve passagem por Portugal, em nome próprio, na Galeria Zé dos Bois, é uma das mais fortes candidatas a incendiar um palco de um festival este verão.

Contamos que guardem, porém, algumas forças, já que o dia segue com Anderson .Paak, uma das atuações mais esperadas do festival. De certeza que vai incendiar o palco da Altice Arena com a sua energia.

O terceiro dia de festival tem como cabeça de cartaz Julian Casablancas & The Voidz, mas não se resume à atuação da banda do líder dos The Strokes, que dispensa apresentações. Passa ainda pelo regresso de Benjamin Clementine aos palcos portugueses, desta feita com uma colaboração especial: Ana Moura, que conheceu na sua última tour em território nacional. Porém, e antes da mobilização para o palco Super Bock, há alguns desvios obrigatórios a fazer.

Stormzy, um dos nomes mais sonantes do grime, atua ao início da noite no palco maior do festival. O género, que surgiu a partir do UK Garage, surgiu em Londres e tem raízes no hip hop. Stormzy traz o movimento underground londrino ao Parque das Nações e consideramos importante fazer parte deste estudo sociológico.

Sevdaliza é outro dos nomes a assinalar no horário de qualquer festivaleiro que se preze. “I am flesh, bones / I am skin, soul / I am human”, diz a cantora num dos seus temas mais aclamados. Acreditamos, mas conferimos-lhe alguns super-poderes. Já que mais não seja o de construir canções hipnotizantes, recorrendo a letras tão simples e densas, recorrendo a sintetizadores e batidas que prometem não deixar ninguém indiferente.

A 24º edição do Super Bock Super Rock arranca quinta feira, dia 19, em Lisboa, no Parque das Nações. Os bilhetes ainda estão disponíveis e podem ser adquiridos nos locais habituais.