Começa a 4 de setembro e estende-se até dia 9, a edição deste ano do MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. O festival está de volta ao Cinema São Jorge, e também à Cinemateca Portuguesa, numa 12.ª edição em que se celebra o 200.º aniversário de Frankenstein de Mary Shelley. O Espalha-Factos traz-te as primeiras confirmações do festival.

Conceito visual

O conceito visual do MOTELX deste ano assenta numa cultura de cartaz de cinema de terror, em que “há uma interpretação e síntese da narrativa numa imagem forte e icónica da história“, remetendo para uma entrada na escuridão. O spot promocional evoca uma aventura medieval, onde reina a magia e, obviamente, o terror, inspirando-se em obras como Exército das Trevas (1992) de Sam Raimi.

motelx 2018

Foto: Divulgação/MOTELX

200 anos de Frankenstein

Volveram-se dois séculos deste a publicação de Frankenstein, obra de Mary Shelley. Silenciada à época, Shelley batalhou para ver a autoria da sua história reconhecida, e hoje, é tempo de refletir sobre o contexto da sua obra, e do que esta representa atualmente. O MOTELX reuiniu um painel exclusivamente feminino para conduzir este debate, o qual conta desde já com Maria João Luís, Isabel Abreu e Fernanda Câncio. Durante todo o mês de Setembro, na Esplanada da Cinemateca Portuguesa e na Cinemateca Junior serão transmitidas adaptações cinematográficas conhecidas da obra de Shelley, tal como Frankenstein (1931), um biopic sobre James Whale, o realizador do clássico – Deuses e Monstros (1998) de Bill Condon -, e ainda obras de animação relacionadas, como Frankenweenie (2012) de Tim Burton.

Filme de abertura: The Nun – A Freira Maldita

Num dos momentos mais aplaudidos da apresentação à imprensa da 12.ª edição, foi revelado o filme da noite de abertura do festival, uma das obras de género mais aguardadas do ano, The Nun – A Freira Maldita. Prequela da série The Conjuring – A Evocação, o filme realizado por Corin Hardy – cuja longa-metragem de estreia, The Hallow, marcou presença no festival em 2015 . A narrativa foca-se na viagem de um padre (Demián Bichir) e de uma noviça (Taissa Farmiga), enviados pelo Vaticano, a fim de investigar a morte de uma freira na Roménia, acabando por deparar-se com forças malignas.

Secção Serviço de Quarto

A secção Serviço de Quarto regressa, e com ela os hits de terror de festivais do último ano. Destacamos das primeiras confirmações:

  • Ghost Stories, obra britânica de Jeremy Dyson e Andy Nyman, em que um cético professor interpretado por Martin Freeman (O Hobbit, Sherlock) investiga três assombrações, sendo um filme que é, no fundo, “uma carta de amor ao cinema de terror britânico“;
  • Ghostland – A Casa do Terror, segunda obra em língua inglesa de Pascal Laugier, realizador do marcante Martyrs (2008), na qual uma mãe e as suas duas filhas se confrontam com uma ameaça antiga, 16 anos depois de uma invasão ao domicílio.
  • Mandy, aclamado na Quinzena dos Realizadores do último Festival de Cannes, um thriller visualmente cativante, protagonizado por Nicolas Cage, ao comando de Panos Cosmatos, sendo o último filme a contar com banda-sonora do recém-falecido Jóhann Jóhannsson.
  • Piercing, o segundo filme de Nicolas Pesce (Os Olhos da Minha Mãe, 2016), exibido no Festival de Sundance deste ano, sobre um encontro entre um assassino e uma acompanhante (Mia Wasikowska) que corre mal.

Confirmados estão também Brother’s Nest de Clayton Jacobson, Cutterhead de Rasmus Kloster Bro, Morto Não Fala de Dennison Ramalho, The Ranger de Jenn Wexler, Terrified de Demián Rugna e Tigers Are Not Afraid de Issa López.

Quarto Perdido com Solveig Nordlund

A secção Quarto Perdido, dedicada a exibir cinema de terror português desconhecido do grande público,  dedica-se este ano exclusivamente à realizadora Solveig Nordlund. Originária da Suécia mas com carreira em Portugal, a organização classifica os seus filmes como “verdadeiros OVNIS” no panorama do terror. Estarão presentes na secção Aparelho Voador a Baixa Altitude (2002), adaptado de um conto de J.G. Ballard, grande referência na cinematografia de Solveig, e A Filha (2003), um thriller psicológico protagonizado pelo falecido Nuno Melo.

Secção Lobo Mau

Os mais novos também voltam a ter lugar no MOTELX, contando, para já, com a exibição do clássico de cinema infantil brasileiro Castelo Rá-Tim-Bum (1999); três sessões de curtas-metragens na Cinemateca Júnior, as Sustos Curtos, e uma no Museu Coleção Berardo, Uma Narrativa de Horrores, seguida de um atelier relacionado; um atelier de cozinha com a Rub-A-Duckie; o workshop O Meu Monstrinho, para construírem bonecos que os possam ajudar a proteger dos seus medos; os ateliers glow e luz Maria Brinca à Sombra; e um peddy paper no Cinema São Jorge.

Warm-up

O MOTELX é precedido, como já é hábito, por um warm-up, e este ano não é exceção, decorrendo de 30 de agosto a 2 de setembro. A Drive Now, parceiro premium do MOTELX 2018, apresenta o Drive-In MOTELX, a grande inovação do ano, prometendo sessões de cinema em Lisboa dentro de carros da marca, ao melhor estilo drive-in americano.

12 anos sempre em expansão

O MOTELX incentiva o cinema de género em Portugal desde a sua primeira edição, sendo o representante português na Federação Europeia de Festivais de Cinema Fantástico, e possuindo ainda o selo europeu de qualidade da Associação de Festivais Europeus.

Desde 2009 que é entregue o Prémio MOTELX: Melhor Curta de Terror Portuguesa, tendo sido também há dois anos introduzido o Prémio MOTELX: Melhor Longa de Terror Europeia. Em ambas as competições, o premiado vence também o Méliès d’Argent, sendo a curta vencedora integrada na competição internacional Méliès d’Or: Melhor Curta-Metragem Europeia.

A competição Yorn microCURTAS, presente no festival desde 2013, é já um dos habituais pontos altos do MOTELX. A competição é composta por curtas até dois minutos, filmadas com telemóveis, tablets ou smartphones. As inscrições para este ano abrem nos próximos dias, e prolongam-se até 26 de agosto.

O MOTELX, durante as suas edições anuais, é um fenómeno de afluência. Já bem longe dos cerca de 4 mil espetadores do seu primeiro ano, no ano passado atingiu cerca de 20 mil em seis dias de festival, provando uma vez mais continuar a crescer na consideração dos cinéfilos lisboetas e também estrangeiros.