São Castro, diretora artística da Companhia de Dança Paulo Ribeiro, em Viseu, pretende que o Summer Lab seja um “foco privilegiado” tanto a nível nacional, como a nível internacional, de modo a que a formação de dança se descentralize. O evento trata-se de um programa de dança que o Teatro Viriato, na mesma cidade, está a receber, pela primeira vez, esta semana.

É o nosso objetivo que, não só dentro do país, esta oferta formativa se descentralize, porque normalmente estes cursos estão mais localizados nos grandes centros urbanos, mas também que o nome não só da companhia [Paulo Ribeiro] como do próprio teatro [Viriato], mas principalmente, o nome de Viseu, seja difundido internacionalmente e que o Summer Lab seja um foco privilegiado em termos de formação de dança“, afirmou São Castro num comunicado enviado ao Diário de Notícias.

Summer Lab: o presente e o futuro

A diretora da Companhia revelou que foram 41 as participações no curso intensivo de dança, o Summer Lab, a decorrer desde a passada segunda até sexta-feira, dia 20. “Para uma primeira edição é um número fantástico”, confessa São no mesmo comunicado. “Já estão a ser pensadas futuras edições” e que o que poderá surgir no próximo ano será diferente em termos de programa, embora esperem que seja igualmente apelativo”.

São Castro mostrou vontade que este evento se repita por mais anos, visto que considera que pode ser um bom complemento “à experiência académica que os estudantes do país têm, porque é muito vulgar os estudantes de dança terem de sair para terem contacto com uma semana destas ou entrarem em contacto com outras metodologias ou com técnicas novas que estão sempre a surgir”.

A primeira edição

Para esta primeira edição a diretora conta que recorreram “a prata da casa, e que está lá fora” e que conseguiram “carreiras internacionais de muito relevo“, nomes como Roger Van Der Poel, na dança clássica, Catarina Carvalho com “mind and movement/studio” e Wayne Mcgregor e João Fiadeiro com composição em tempo real, o improviso.

O painel de formadores conta com os residentes em Viseu, São Castro e António Cabrita, na dança contemporânea e com Menghan Lou, “o único que não tem nacionalidade portuguesa” e que apresenta um laboratório coreográfico.

Uma semana “intensiva de formação, que mais não é que uma troca de experiências e de aprendizagens entre os formadores e os participantes e também de entre os próprios participantes” que surgem de todo o país e do estrangeiro.

As inscrições vieram de escolas situadas em várias partes do país “como Coimbra, Lisboa, Porto”. Cinco dos participantes pertencem à escola Lugar Presente, à Companhia Paulo Ribeiro. A nível internacional chegaram pelo menos três pessoas de Inglaterra, Itália e Espanha.

A divisão dos bailarinos

Os 41 participantes estão divididos em três grupos, tendo em conta a idade e a experiência na dança. O grupo A, com 18 inscritos, é composto por estudantes da área da dança entre os 15 e 18 anos.

O grupo B reúne 15 estudantes e profissionais da área e é dirigido a maiores de 18 anos. Tal como no grupo A, os formandos deste grupo têm 42 horas de formação e cinco disciplinas integradas, sendo que são os participantes com mais aulas e horas de formação.

No grupo C todos os indivíduos estão em plena atividade laboral, têm profissões distintas, mas o gosto pela dança em comum. Deste grupo, com sete inscritos, faz parte o aluno mais velho, uma professora de matemática de 52 anos.

Ou porque tiveram alguma formação enquanto jovens e agora veem esta possibilidade de continuarem neste contacto com o corpo ou porque já têm algum contacto com a dança, como as danças de salão ou a ioga (…) e são pessoas que têm muita disponibilidade física de responderem muito bem aos desafios que são criados pelo formador“, explicou a diretora.

Este grupo C é “essencialmente, composto por pessoas da região, algumas são de perto, são pessoas que estão a gerir a sua vida profissional com este evento, algumas fizeram férias para conseguirem esta formação“.

O corpo que recebe e o corpo que oferece

Summer Lab é uma oportunidade, para os jovens estudantes, profissionais e não profissionais, de colocarem o corpo em duas vertentes: o corpo que recebe e o corpo que oferece.

Que recebe, porque tem a ver com a apreensão e a aprendizagem de todas as técnicas clássica e contemporânea. E depois que oferece, porque vai ter oportunidade, nas outras disciplinas, de colocar o corpo como um verdadeiro intérprete, o de saber estar num grupo para a construção de uma coreografia“, explicou São Castro.

A diretora artística defendeu ainda que esta é uma forma de “perceber o método de um outro coreógrafo, com o seu processo criativo, como ele pensa o corpo para criar as suas peças” e é também o oferecer “a disponibilidade do seu corpo, para a pessoa se desprender de uma certa inibição que possa sentir e deixar-se ouvir, deixar ouvir o seu corpo para a improvisação“.

O fim e os objetivos do Summer Lab

O Summer Lab termina dia 20, sexta-feira, sem qualquer apresentação ao público, “como é normal neste tipo de eventos“, já que o objetivo é que os participantes não estejam preocupados com uma apresentação final ao público.

Queremos que eles se foquem na experiência, na semana intensiva que eles vão ter e que apreendam, absorvam e, como eu dizia, porque era o que eu sentia quando era estudante de dança, que venham esfomeados e ávidos desta aprendizagem e deste contacto com estes formadores que têm currículos fabulosos“, lê-se no mesmo comunicado.

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