No dia 12 de julho, sexta feira, os God Is an Astronaut regressaram a Portugal, passando pela Casa da Música no Porto. Consigo trouxeram e apresentaram a sua mais recente obra, Epitath, sem esquecer trabalhos anteriores.

Com a abertura das portas pouco antes das 22 horas, a sala 2 da Casa da Música foi lentamente preenchida por um espirito de camaradagem subtil, confirmado com as reações do público ao início do espetáculo.

Fotografia: Ana Fonseca (Espalha-Factos)

As duas primeiras canções de Epitath introduziram a presença da banda, marcadamente sombria pela tonalidade do novo material. Torsten Kinsella, vocalista e guitarrista, apresenta-o como uma homenagem ao seu primo de sete anos que recentemente faleceu.

À terceira faixa, The End of the Beginning, do primeiro álbum homónimo, pouco parecia perturbar o sossego violento do post-rock da banda irlandesa. Quer se batesse o pé quer não, sentia-se um bem estar comum, tanto do público como da banda. Isto não é propriamente uma surpresa, tendo em conta o legado e a experiência deste grupo de músicos dentro do género post-rock que já cá andam desde 2002.

Epitath só volta a ocupar lugar na setlist com Seance Room e Medea, ocupando o sétimo e oitavo lugar na setlist, respetivamente. Trata-se, portanto, de um alinhamento que dá protagonismo a Epitath e All is Violent, All is Bright, de 2005.

Fotografia: Ana Fonseca (Espalha-Factos)

Se nunca houvesse uma interrupção entre as canções para um curto diálogo de Torsten, o concerto pareceria ser uma só longa canção. A fluídez das transições permitia uma simples e humilde experiência musical imersiva. É precisamente aí que os God Is an Astronaut foram felizes, em proporcionar uma noite de música expansiva, bonita e energética acompanhada por efeitos visuais e de luz sem grande extravagância.

O concerto terminou comHelios Erebus, do álbum de 2015 do mesmo nome, e serviu de encore um pouco improvisado. Torsten procurou sair do palco, tal como os seus colegas de banda fizeram, mas não conseguiu. Embaraçado, pediu ao público para fingir que nada aconteceu e que tinha tranquilamente abandonado o palco. Em pequenos risos, sorrisos e aplausos, lá se fez uma curta pausa.

Em suma, foi um reencontro bonito. Comparando com setlists anteriores da mesma digressão, não houve nenhuma surpresa, no entanto, não se sente carência de uma. Foi um miminho de post-rock de hora e meia.

Fotografias: Ana Fonseca