Já passavam quinze minutos da hora marcada. A ansiedade era crescente e os anos de espera não ajudavam. Todos queriam ver os Pearl Jam a entrar pelo palco principal. Os outros palcos estavam encerrados, à exceção do Coreto, onde tocavam os 800 Gondomar.

O relógio marcava 23 horas e 30 minutos quando a banda surgiu em palco. Foram 55 milhares de pessoas a aplaudir e assobiar. Duas horas de concerto que se avizinhavam começaram com Low Light, tema do álbum Yield (1998). Logo de seguida, veio o maior êxito da banda, Betterman – mais do que os próprios Pearl Jam, o que se via eram telemóveis em riste que gravavam o momento para a posteridade.

Neste que foi o penúltimo concerto do grupo de Seattle na Europa, antes de rumarem de volta aos Estados Unidos, cantaram-se temas antigos. Muitos dos presentes eram mais novos do que as letras que saíam das pontas das suas línguas. Por outro lado, uma grande parte é capaz de ter estado na primeira vinda da banda a Portugal, em 1996.

Para os Pearl Jam, o NOS Alive é quase uma segunda casa, por isso, tocaram para a família. Nesses termos, toda a gente se entende, melhor ou pior, e tivemos direito a umas palavras em português. Da boca de Eddie Vedder apenas saiu amor por este cantinho à beira-mar plantado. O público não hesitou em responder na mesma moeda. É este esforço das bandas por agradar a audiência que respeitamos.

Imaginar toda a gente a viver em paz

O frontman da banda não nos poupou a discursos de apelo à mudança de mentalidades. Falou sobre a necessidade de terminar com todas as formas de violência, a importância de apoiar as mulheres, as filhas, as mães, as namoradas e atingir a igualdade de género. Elogiou Barack Obama e celebrou as diferenças entre os seres humanos.

Aludindo a esses discursos, os Pearl Jam tocaram o mais recente original Can’t Deny Me, considerada uma canção de protesto. Já no encore, Eddie Vedder interpretou uma versão de Imagine de John Lennon e Comfortably Numb dos Pink Floyd.

Um adeus icónico que trouxe Jack White de novo ao Palco NOS

A maior surpresa deste concerto foi a junção de dois veteranos do rock para um final onde se tocou por um mundo livre. Depois de já terem feito um middle em Porch com o riff de Seven Nation Army – enquanto Jack White assistia no backstage -, Eddie Vedder trouxe o norte-americano de volta ao palco, onde tinha acabado de tocar a solo.

Desta vez, veio para tomar conta da guitarra elétrica no cover de Rockin’ in the Free World, original de Neil Young. Foi um episódio histórico e, certamente, o melhor desfecho para o regresso de uma banda intemporal e icónica ao festival batizado em sua homenagem.