No dia 11 de Julho de 2018, quatro bandas subiram ao palco da Sala 2 do Hard Club para proporcionarem mais de três horas de concerto. O grande nome da noite era os Crystal Lake, mas, antes, o palco portuense recebeu os AIKO, os Starve to Survive e os Ho-Chi-Minh.

AIKO: do Porto, os AIKO abriram as hostilidades com um misto de metalcore com rap tocado com precisão e paixão. Apesar de este ser o seu primeiro concerto a abrir para bandas internacionais, a sua presença em palco esteve ao nível de outros grupos mais experientes. Repletos de humildade e alegria, tocaram os seus singles desde Karma War até Carry The Crown (esta última com presença de Rui Martins, dos Borderlands) com energia e força.

STARVE TO SURVIVE: Estreando-se em palcos fora do seu país, os britânicos Starve To Survive subiram ao palco com a postura e presença de titãs e foi isso que transpareceu ao público: hardcore tradicional entrelaçado com beatdown fez tremer até o mais tímido dos fãs. Munidos de músicas nunca antes tocadas (de um EP que sairá numa data mais tardia) e com uma presença em palco bastante confiante, demonstraram que este género de música ainda está bem vivo.

HO-CHI-MINH: Ho-Chi-Minh foram a última banda de abertura antes da cabeça de cartaz e entre piadas, não hesitaram em começarem logo com a música Liar, do seu EP mais recente Shout It Out. Entre músicas mais antigas e mais novas, os algarvios tocaram temas de todos os seus álbuns e EPs, incluindo ainda novos temas de um projeto futuro. Com bastante alegria e vontade, o seu post-hardcore industrial da velha guarda marcou a diferença pela positiva.

CRYSTAL LAKE: Por volta das 22:40, era altura dos japoneses mostrarem porque é que vieram de tão longe para tocar no nosso país: desde o primeiro segundo até ao último, a Sala 2 foi envolvida por uma energia inesgotável. Praticamente não houve pausas entre músicas, várias de cada álbum da banda, mas também não foram necessárias porque era evidente que presença e habilidade de controlar e domar o público é algo que estes cinco músicos são mais que experientes. Em constante movimento, saltos, socos no ar enquanto tocavam as suas músicas com precisão cirúrgica durante uma hora foi muito fora do comum, apenas revelando que estávamos na presença de puro trabalho duro, dedicação e paixão. Desde blast beats frenéticos, breakdowns demolidores e refrões onde todos os fãs atacaram o palco, os Crystal Lake tocaram como se estivessem na frente de uma sala cheia apesar da pouca adesão ao concerto. Era mais que claro que a banda estava incrivelmente grata por cá estarem e isso transpareceu para toda a gente que, de certeza, nunca vai esquecer este concerto.

Texto de Rui Carneiro