Conhecemos, hoje, Timothée Chalamet como o jovem de 22 anos que deu corpo e alma a Elio Pearlman: a atuação que Call me by your Name precisava. O passado ninguém conhece e, se conheces, provavelmente não te lembras. Acerca do futuro, esperamos nós estar certos quando dizemos que o conhecemos e o vemos.

O Espalha-Factos apresenta-te, então, o menino dos Óscares que tu conheces e que, na próxima década, quem não conhece vai passar a conhecer.

A Carreira Oculta do Ator

Desde criança que Timothée sempre esteve em contacto com o mundo dos ecrãs. Apareceu em vários anúncios televisivos e foi  com 13 anos que participou em duas curtas-metragens de terror.

No ano seguinte, estreou-se na televisão. Uma aparição “fantasma” num episódio de Law & Order, onde vemos o jovem novato a aparecer e, sem tempo para fixar caras, a desaparecer como vítima de homicídio. A partir daí, foi integrando projetos nas áreas da televisão e do cinema, quase sempre como elemento secundário.

Contudo, em 2014, a representação tomou conta da sua vida. Ainda estudante na Universidade Columbia, o jovem ingénuo, persuadido pelo sonho e tão próximo de Matthew McConaughey, desistiu dos estudos para ser ator. Não que já não o fosse, no entanto, com o filme Interstellar, de Chistopher Nolan, a esperança de poder sê-lo a tempo inteiro nasceu.

Para grande desilusão de Timothée, a sua identidade permaneceu imersa no anonimato. O filme lotou as salas de cinema e foi aclamado pela crítica, mas, provavelmente, nem tu te lembras do vulto do miúdo que fazia de filho do grande Conaughey.

Os insucessos persistiram. “Pequenos” papéis em “pequenos” filmes. Papéis que, independentemente de tudo, não puderam ser mal representados; o jovem vivia na penumbra, mas era bom.

Como prova disso, surge, em 2016, Miss Stevens: um filme independente onde Timothée Chalamet desempenhou o seu primeiro papel de destaque, como Billy, um aluno problemático com jeito para o teatro. Prova- nos que é capaz de chorar. Mostra-nos um tipo de comoção que não pode ser forçada, porque parece fácil de sentir – aquela coisa que ele faz no filme de ouro que lhe deu a fama.

Sendo, ainda, só mais um ator, Chalamet faz o espetador virar a cara com a leitura do discurso lapidar de uma das maiores peças dos anos 20, Death of a Salesman, de Arthur Miller. O monólogo de Billy não pode, por isso, ficar esquecido com a popularidade que veio depois e que ainda há-de crescer.

O Salto na Carreia

Foi preciso Luca Guadagnino, realizador de Call me by your Name, conhecer o rapaz promissor, para, após uma breve conversa, ficar convencido de que tinha à sua frente o Elio que procurara durante sete anos. Este foi o clímax da sua carreira. Vencedor de um Gotham Award (Breakthrought Actor) e nomeado para uma série de prémios, de entre os quais se destacou a nomeação para o Óscar de melhor ator, Timothée Chalamet passa a ter o seu nome cravado na memória dos espetadores.

A verdade é que, apesar do trabalho exímio do diretor italiano e do elenco, tal como é dito por Olly Richards (na revista Empire), Timothée “sozinho faria com que valesse a pena ver o filme”. O mesmo, enquanto Elio, relaciona-se com todas as personagens do elenco, através de interações puras, que, por o serem, não evitam a dor. Ora, essa concordância com a natureza, a beleza que o filme pretende exibir, poderia ser ameaçada pela partilha de cenas eróticas com várias personagens. Porém, perante Armie Hammer, Esther Garrel e, por muito estranho que pareça, perante o pêssego , o ator abraça a autenticidade de cada ato dissipando qualquer possibilidade de criação de momentos constrangedores ou antinaturais para o espetador.

O guião por trás do que é dito e feito é eliminado pelo jovem prodigioso. Estamos perante um ator que não espera simplesmente pela sua fala, pela sua vez de dizer o que está no papel. Ouve, observa e reage, e a reação surge como uma pulsão.

Numa entrevista ao ator, o mesmo desvenda o segredo: “Menos uma transformação  de caráter, e mais a captura de um sentimento, uma sincronização, um movimento” . Preservando traços da realidade e da sua essência  na personagem que é Elio Pearlman, o jovem franco-americano distancia-se do real através de momentos.

Isto tudo, para não falar das aulas de guitarra, piano e Italiano que teve no período de preparação para as filmagens, tendo-se deslocado antecipadamente para o local onde as mesmas decorreram – Norte de Itália.

Ainda em 2017, conquistou a admiração de Greta Gerwig, realizadora de Lady Bird. Ao interpretar Kyle Scheile, um dos namorados de Lady Bird (personagem principal), Timothée exibe a sua versatilidade.

É  notável como o mesmo ator, no mesmo ano, aparece em dois filmes onde as duas personagens exigem do artista maneiras de ser perfeitamente opostas. Não há nada mais evidente como a contraposição entre o jeito natural com que Elio expõe o seu conhecimento, a pedido da ocasião, e as manifestações forçadas de Kyle. A personagem de Lady Bird, sem se libertar da presunção, ocupa qualquer silêncio com ideias descontextualizadas. Ao alcançar o ridículo, o público e Saoirse Ronan riem-se enquanto o ator permanece sério, isento de sentido de humor. Uma performance “hilariante”, citando Ty Burr, do The Boston Globe.

O que está para vir

Acabando 2017 com a participação secundária em Hostiles, onde contracenou com Christian Bale, Chalamet, segundo rumores, prepara-se para conquistar a segunda nomeação do Óscar.

Beatiful Boy, de Felix Van Groeningen, é o próximo passo. O filme traz ao ator a oportunidade de contracenar com Steve Carell, numa relação conflituosa entre pai e filho. O enredo, inspirado na história real de David Sheff (autor do livro), parece pedir mais uma atuação transcendente por parte de Timothée.

Já no trailer, sem qualquer contextualização ou conhecimento da narrativa, é nos oferecida a possibilidade de nos comovermos. A contenção do desespero, das lágrimas, e o desamparo soluçado das palavras ditas pelo ator caem, inevitavelmente, sobre o espetador.

Um ator que tem tudo para ser o próximo Leonardo DiCaprio, o próximo Christian Bale, o próximo Daniel Day-Lewis, ou, como Greta Gerwig afirma, uma fusão dos três. Os holofotes estão acesos, o público observa, e Timothée Chalamet parece não querer desiludir.