Com uma lotação praticamente esgotada, os Stone Sour puseram à prova o público português. Uma noite de comunhão com direito a momentos imprevisíveis.

Previa-se um noite de farra dentro da sala de espetáculos localizada na Rua das Portas de Santo Antão. Em toda a sua extensão, via-se duas filas de pessoas maioritariamente vestidas de negro. Um sério contraste dos clientes nas esplanadas dos restaurantes a verem a semi-final do Mundial de Futebol.

Fila à porta do Coliseu

O fim de uma dessas filas encontrava-se na Praça D. Pedro IV, junto ao Teatro D. Maria II. Isto quando faltava cerca de 15 minutos para as 21 horas, hora prevista para o início do espetáculo. Apesarem de não serem ingleses, os Stone Sour cumpriram religiosamente o provérbio “pontualidade britânica” e à hora marcada subiram ao palco do Coliseu, ainda com bastante espetadores a entrar dentro da sala.

Com o soar das guitarras da banda e da voz inconfudível de Corey Taylor, fez com que o público acelarasse ainda mais o passo para não perderem pitada do concerto da noite. De forma atípica, os Stone Sour não tiveram banda de abertura.

Artilharia da pesada

Passam seis anos desde a última visita do coletivo norte-americano a Portugal. Da Altice Arena ao Coliseu dos Recreios, a diferença do tamanho da sala é deveras gritante. No entanto, com a lotação do Coliseu praticamente preenchida, a interação dos Stone Sour com o público português é muito mais próxima.

O pretexto do concerto de hoje é Hydrograd, o mais recente álbum de estúdio. Por esse motivo, a entrada em cena dos Stone Sour aconteceu ao som de Whiplash Pants. Apesar de passarem 16 anos da edição do primeiro disco, as primeiras músicas a serem ouvidas pelo público são retiradas de trabalhos lançados nesta década.

Em Absolute Zero, Corey Taylor sai de palco para buscar uma “bazooka” para disparar confettis. O público fica em êxtase e o sorriso do vocalista prova que gosta de ver a reação dos presentes. Já quarentão, o mesmo não desperdiça qualquer oportunidade para abordar a plateia. Em cada frase, consegue meter um palavrão de pura consciência. Afinal de contas estamos a falar de Corey Taylor, animal de palco e exímio profissional. O público responde com cânticos a chamá-lo com palmas e assobios à mistura.

Momento Nu e Cru

Depois de Knievel Has Landed, Say You’ll Haunt Me e 30/30-150, a intensidade baixa um pouco para dar privilégio à crueza das emoções. Corey Taylor fica sozinho em palco com uma guitarra e faz uma curta versão de Nutshell, tema dos Alice In Chains. Momento de comunhão absoluta.

Continuando com o ambiente mais intimista, o vocalista prossegue o alinhamento com Bother, pondo o Coliseu ao rubro com a maior parte do público a cantar em uníssono. No fim, a emoção é tanta que arrebata com Corey Taylor, levando as mãos à cara enquanto confessa que ficou com “pele de galinha”.

De um extremo ao outro, tempo para revisitar temas dos primeiros álbuns de Stone Sour. Cold Reader e Get Inside põe a plateia aos pulos e há também uns espetadores mais corajosos que se aventuram no crowd surf.

O álbum conceptual House of Gold & Bones (dividido em duas partes) também é recordado através de Do me a Favor, mas a passagem pelo álbum Come What(ever) May, representado pela intemporal Made of Scars e Reborn volta a meter a atuação dos norte-americanos em ponto de rebuçado.

“E agora para algo completamente diferente”

Depois acontece um momento especial e nada esperado. “Só fiz isto uma vez e foi uma das melhores noites da minha vida. Por isso chamo agora ao palco, um convidado muito especial: o meu filho”. Entra Griffin Parker Taylor com 15 anos de idade para tomar conta do Coliseu. Canta Song #3 e provou que “quem sai aos seus não degenera”. Impressionante a capacidade vocal do filho e a sua presença em palco.

O hino Through the Glass é escutado e continua a soar da mesma forma como foi gravada. Até parece que estamos a ouvir o disco. Altura de revelar uma outra surpresa para o concerto: Stone Sour fazem uma incursão ao universo dos Kiss, com uma versão de Love Gun. Para Corey Taylor, são heróis e na véspera do concerto em Lisboa revelaram no Instagram que os Stone Sour tinham estado com eles.

O vocalista chega mesmo a imitar os tiques de Paul Stanley, conseguindo arrancar umas gargalhadas no público.

Ouve-se cânticos de “We Want More” (queremos mais) na sala e, já em regime de encore, ouve-se RU486 e Fabuless com direito a “tube mans” e pirotecnia. Mais de hora e meia de concerto deixa todos os presentes de coração cheio numa noite que certamente ficará na memória.

Fotoreportagem de Rodrigo Santos / Espalha-Factos