A época de festivais de verão está aberta e o NOS Alive está à porta. O cartaz está composto, os bilhetes estão esgotados e o recinto está pronto a receber os festivaleiros. Entre bandas mais populares e outros nomes em ascensão, sabemos que muitas vezes se passa por atuações que evitaríamos de bom grado.

Este artigo é para todos os hipsters que vão ao NOS Alive. Os que não correm para a frontline, os que vão em busca do concerto do dia, os que compraram bilhete só para ver uma banda do palco secundário, ou os que estão desesperados para ver o cabeça de cartaz, mas até lá não vão ficar a ouvir os hits mais recentes das rádios nacionais.

O Palco NOS tem o seu quê de alternativo

À partida pode não parecer e podem nem entender o porquê da referência a este palco, quando supostamente alberga os maiores nomes que vão pisar o recinto do festival. No entanto, há três atuações neste palco do NOS Alive que, apesar de serem um chamariz para alguns, passam despercebidos a muitos olhares.

No primeiro dia do festival, o septuagenário Bryan Ferry regressa a Portugal, onde atuou pela última vez em 2008. Foi uma das grandes vozes dos anos 70, enquanto vocalista dos Roxy Music, banda da qual Brian Eno fez parte. As suas setlists são, essencialmente, protagonizadas por temas da banda a que pertenceu durante essa década. Love Is The Drug, Avalon e Virginia Plain são presenças constantes. Trabalhos a solo também não faltam, inclusivamente, Don’t Stop The Dance e, claro, o hit Slave To Love.

No último dia, MGMT e Franz Ferdinand são as principais atrações para fugir à corrida que vai haver para os Pearl Jam. Os primeiros lançaram um novo álbum, Little Dark Age, este ano, estando a sua veia eletrónica e psicadélica sempre presente.

Franz Ferdinand é um nome bem conhecido do panorama indie, responsável por grandes hits contemporâneos do apogeu dos The Strokes. Take Me Out e No You Girls farão parte da setlist da banda de Alex Kapranos, certamente. Também presentes vão estar os singles do mais recente álbum, Always Ascending, também lançado este ano.

Lavar os ouvidos no Palco Sagres

De quinta a sábado, vão existir inúmeras atuações neste palco dito secundário do NOS Alive. Apesar da sua classificação, este é o estrato onde se vêem algumas das revelações e das melhores atuações durante os três dias do festival. A mudança de patrocinador – nos últimos anos, a cerveja Heineken tem sido a grande imagem deste palco – não foi desculpa para uma oferta com menos qualidade. Há uma série de nomes que são obrigatórios para uma experiência completa, no NOS Alive.

Sampha

É a voz soul que está sustentada por misturas eletrónicas – denota-se uma vibe a la Chet Faker – ou pela docilidade do piano, nas baladas. Vai atuar no primeiro dia, depois dos Arctic Monkeys, para acalmar os ânimos e dar espaço à recuperação de energias para o dia seguinte. Porém, não esperem adormecer, pois existe um grande equilíbrio entre o lado angelical e bestial do artista britânico.

Yo La Tengo

São uma banda nova-iorquina de indie rock com muita história às costas. Já foram comparados aos The Velvet Underground pela sua sonoridade única, que combina rock e noise pop – há quem diga que inclui um pouco de shoegaze. Tocam por volta das 20h30, no segundo dia do festival.

Mallu Magalhães

Provavelmente, a cara mais conhecida dos portugueses, neste palco secundário. As vezes que nos bafeja ao longo do ano com a sua voz melódica ao vivo não são suficientes. Para quem nunca teve a oportunidade, aproveitem para ouvir bossa nova ou bom folk rock em brasileiro, no dia 14 de julho.

Perfume Genius

Apresenta-se ao público do NOS Alive, no último dia, às três horas da madrugada, encerrando a edição de 2018. Será um desfecho apoteótico, garantido pela genealidade de Mike Headreas, o nome por trás do projeto Perfume Genius. As suas letras exploram problemas da subjetividade e estão envoltos em baladas ou canções rock excêntricas, com inspirações em David Bowie.

A fonte do alternativo em português

No Palco Coreto by Arruada e NOS Clubbing, encontras os nomes mais excecionais da casta portuguesa. Entre muitos grandes concertos que terão lugar neste palanco nos três dias, damos destaque àqueles que consideramos imperdíveis.

No primeiro dia, sugerimos a apresentação de Papillon e a colaboração especial PAUS + Holly Hood.

A 13 de julho, Branko e Surma vão dar o melhor da eletrónica e do experimentalismo em ambos os palcos.

Para finalizar, no último dia do festival, aconselhamos a marcar lugar para Throes + The Shine, conhecidos pela energia inesgotável e contagiante, e Primeira Dama, que toca no início do dia.

Estas são as sugestões do Espalha-Factos para que não tenhas tempos mortos durante o NOS Alive e possas desfrutar de apresentações mais alternativas. Caso os teus desejos não se revejam nesta lista, certamente não vais querer perder os três grandes regressos marcados para esta 12ª edição: Arctic Monkeys, Queens of the Stone Age e Pearl Jam. Os bilhetes e passes gerais já estão esgotados.