O Espalha-Factos foi convidado a assistir ao musical Footloose, que esteve em cena pela primeira vez em Portugal numa produção semi-profissional da Primeiro Acto Estúdio de Teatro Musical.

Em maio estivemos à conversa com o encenador, André Lourenço, a propósito deste espetáculo que juntou em palco mais de quarenta jovens atores. Deixamos-te agora a nossa opinião sobre o que (ou)vimos no passado sábado.

Foto: Catarina Veiga

Tudo começa com um número cheio de cor e ritmo. Em palco, grande parte do elenco canta e dança o tema principal (Footloose) que terá sido também um dos principais desafios de tradução e adaptação para a versão portuguesa.

O elenco que compõe o grupo de personagens mais jovens é logo de seguida substituído pelos atores que integram o núcleo mais velho, que inclui o Reverendo Shaw Moore (Samuel Cardita) e a esposa Vi (Marisa Camões), além da mãe do protagonista Ran McCormack, Ethel (Teresa Amorim). Estes personagens entregam ao longo de duas horas e meia alguns dos melhores números musicais de todo o espetáculo, como Vivo no Silêncio, Podes sempre procurar e Confesso.

Foto: Catarina Veiga

O núcleo de personagens mais jovens sustenta com dedicação a maior parte da peça e oferece ao público interpretações marcantes, quer pelo entusiasmo e dinamismo em cenas como Se ela deixar ou Há sempre Alguém, quer pela prestação vocal de alguns personagens.

Destacamos a jovem Rusty, a quem Marta Coelho empresta a voz surpreendente e poderosa (especialmente na canção Ele é o meu rapaz) além de algumas das intervenções mais hilariantes do espetáculo. Também os protagonistas Ariel (Inês de Castro) e Ran (Pedro Paz), além de Willard (Salvador Morgado) têm prestações dignas de nota, os primeiros enquanto par romântico e o último como o personagem mais cómico de todo o elenco.

Foto: Catarina Veiga

Dançar não é (e nunca será) um crime

Footloose é um musical que se situa num tempo e lugar particulares, mas as temáticas que aborda são universais. Por um lado, todos os jovens gostam de dançar e de se divertir e em qualquer lugar do mundo há sempre um espírito de grupo que permeia e influencia as escolhas dos seus membros. Por outro, todos os adultos que lidam com as adversidades da vida devem ainda lembrar-se de que, em algum momento remoto, foram jovens esperançados e alegres que se exprimiam através do corpo.

Foto: Catarina Veiga

A produção apresentada pela Primeiro Acto não desiludiu e fez justiça à qualidade das músicas de Tom Snow e do libreto de Dean Pitchford e Walter Bobbie. Um simples mas inventivo dispositivo cénico funcionou muito bem para criar os diferentes ambientes necessários às cenas e os figurinos coloridos cumprem também o seu papel.

A boa preparação vocal dos atores permitiu a entrega de uma performance sólida, especialmente nos números de ensemble, sempre um desafio para um grupo composto por tantas pessoas.

Foto: Catarina Veiga

Já no plano das coreografias, apesar de uma boa execução global, evidenciaram-se algumas fragilidades técnicas. No geral, a versão portuguesa de Footloose é uma excelente adaptação do original da Broadway que merecia, sem dúvida, mais apresentações!

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