A prepararem o lançamento do terceiro álbum de estúdio, os Salto receberam o Espalha-Factos no seu estúdio em Lisboa. O ponto de partida da conversa foi o novo single e ficámos a saber o que podemos esperar do próximo disco.

Numa manhã enuvoada de junho, Guilherme Tomé Ribeiro e Luís Montenegro abriram as portas do seu estúdio em Lisboa, na zona de Marvila. “No gozo, dizemos que é o estúdio Maravila”, atira o músico Luís Montenegro.

Quando entrarmos, deparamos com uma sala modesta e repleta de material musical: desde guitarras, sintetizadores, componentes eléctricos e, claro, um computador. Não há dúvidas: estamos num local onde existe efervescência de ideias e acontece a materialização das mesmas sob a forma de canções.

Neste terceiro disco, que ainda não tem nome definido, os Salto assumiram por completo o papel da produção e masterização do respetivo álbum. O primeiro avanço surge em Rio Seco, tema que foi disponibilizado nas principais plataformas de streaming em maio. Sobre a reação do público, consideram que tem sido uma surpresa positiva.

“Acho que o feedback da Rio Seco tem sido uma surpresa. Temos tido opiniões muito fixes. Comentários no YouTube completamente fora que não estávamos à espera. É uma música diferente das que os Salto tiveram feito até aí e isso causou surpresa nas pessoas”, realça o vocalista Guilherme Tomé Ribeiro.

Para os Salto, Rio Seco marca uma diferença e o grupo sente que “tem um peso especial”, que, para além da mensagem que transmite, faz com que tenha sido escolhida para ser single.  Sobre o álbum como um todo, Luís Montenegro salienta que é o disco “mais bem trabalhado sonicamente em todos os aspetos”.

Já passaram seis anos desde que os Salto participaram num concurso de novos talentos organizado por um conhecida loja de retalho. Desde então publicaram dois álbuns e têm andado a tocar pelo país que inclui tanto em festas académicas e até em eventos de grande dimensão como o Rock in Rio Lisboa.

“Houve um ano em que nós demos 70 concertos. Íamos a todo lado que desse. [ri-se] Na verdade, até nem nos esforçavamos muito. Vinham ter connosco para marcar datas. Desde festas académicas mais pequenas até a umas [festas] maiores. Fizemos primeira parte dos GNR, dos [Capitão] Fausto no lançamento do primeiro disco deles. Nós éramos uma banda de primeira parte.”, afirma Guilherme Tomé Ribeiro esboçando um sorriso.

Entre dedelhadas, tanto na guitarra como no sintetizador, a conversa prossegue à volta da música nova e sobre o que público pode esperar do terceiro disco de originais. “Não vai ser como os nossos álbuns antigos com 12 músicas. Fomos mais exigientes. Acabaram por ficar algumas de fora. Só ficaram aquelas que gostamos muito”, admite Luís Montenegro.

Guilherme Tomé Ribeiro, por seu lado, complementa esta ideia ao afirmar que é necessário ter discernimento para considerar que um trabalho discográfico não tem de cumprir um determinado tempo de duração e número adequado de canções. “Só queremos mostrar as músicas que achamos que merecem ser divulgadas […] Quisemos que as pessoas entrassem num disco que tenha exactamente aquilo que queremos que elas oiçam”.

Sobre a data de lançamento, os Salto não quiseram revelar o dia certo, mas garantem que sai no último trimestre de 2018.

Vídeo: Eduardo Filipe e Edgar Esteves

Edição: Eduardo Filipe