O último episódio da segunda temporada de Westworld deu aos fãs muito em que pensar. Durou uma hora e meia, e foi exibido nos EUA, a 24 junho, na HBO. Intitulado de “O passageiro”, foi escrito pelos criadores Jonathan Nolan e Lisa Joy, e deixou revelações bombásticas, para além de levantar ainda mais questões.

O episódio começa exatamente com a pergunta que todos os espectadores têm na cabeça: isto é o presente? Depois da primeira temporada, onde ficámos conscientes de que a série se passa em diferentes linhas temporais, a segunda temporada veio explorar este assunto ao máximo.

Andou para trás e para a frente, seguindo maioritariamente a narrativa de Bernard, na qual ele próprio misturou as suas memórias, para não se denunciar. Isto também quer dizer que algumas das cenas que aparentavam ser normais, tinham uma contrapartida, como por exemplo a Charlotte quando já era na verdade Dolores.

Finalmente chegamos à Forja, local onde estão guardados os dados de todos os visitantes do parque, transformados em livros. É uma biblioteca onde as histórias e almas das pessoas são escritas por um braço robótico, que produz folhas parecidas com as pautas da música que tocava no piano do Salão Mariposa.

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Créditos: HBO

Será que é como Ford disse, “Mozart, Beethoven, e Chopin nunca morreram. Simplesmente tornaram-se música”? O conceito é verdadeiramente bonito, mas a série não deixa pausar nessas apreciações. A discussão entre as personagens recai mais em reflexões filosóficas sobre liberdade de escolha e livre arbítrio, essenciais no contraste entre robôs e humanos.

Neste sítio é onde está também o sistema que vai permitir a abertura da Porta, que leva ao Valley Beyond, referenciado em toda a temporada e para onde todos se estavam a dirigir, cada um com o seu propósito.

É um sítio real onde de facto os hosts podem “viver para sempre”, deixando os seus corpos reais para trás e ficando apenas com as suas mentes. Apesar de soar mais ou menos como um paraíso, não é o que parece a Dolores, que se revolta contra o que não envolve dominar o mundo.

Agora já percebemos como é que todos aqueles corpos foram parar ao lago, no início da temporada. A determinação de Dolores em interromper o processo deu frutos. Alguns dos espíritos conseguiram salvar-se, e estão numa localização desconhecida, já que Dolores alterou as coordenadas.

Maeve dos dragões

Os hosts só conseguiram chegar ao Valley Beyond graças a Maeve e Akecheta, uma personagem que só foi explorada há dois episódios, mas que conquistou o coração dos fãs. A Maeve de Thandie Newton foi das personagens mais bem conseguidas, tanto que até Ford revelou que era a sua host preferida.

Desde salvar-se a si própria, numa cena espetacular com touros robóticos, que foi inclusive usada numa promo para a Super Bowl, até sacrificar-se para deixar a sua filha em segurança. A madame do Mariposa descobriu a sua habilidade de controlar os hosts só com a mente e teve de utilizá-la para os segurar, no que foi uma batalha intensa e interessante.

Foi uma abordagem diferente virar os hosts uns contra os outros através de Clementine, que já mostra, na sua cara, a quantidade de traumas que sofreu. Essa luta, e as metralhadoras dos seguranças, levaram à queda de Maeve.

Mas ainda há esperança. No fim do episódio, pediram aos assistentes que a acompanharam, Felix e Sylvester, para escolherem os hosts em boas condições para reparar. A Maeve deverá ser uma dessas felizes contempladas.

Apesar de este episódio ter muitas mortes, o facto de os hosts poderem ser reparados faz com que poucas delas pareçam definitivas. Ficam as certezas para Elsie e Charlotte, cujos corpos agora têm novos ocupantes.

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Já questionou a natureza da sua realidade?

Em Westworld já não dá para ter a certeza de quem é humano ou não. Mesmo assim, algumas personagens surpreenderam pela sua humanidade, ou falta dela.

Lee Sizemore, Simon Quarterman, que era visto como a personagem irritante e arrogante da primeira temporada, evoluiu bastante na sua jornada com Maeve. O seu fim, a dizer o discurso que tinha escrito para Hector, para salvar a Maeve, demonstrou que cresceu e se tornou corajoso e disposto a sacrificar-se por um host.

Stubbs, interpretado pelo mais velho dos irmãos Hemsworth,  revelou, implicitamente, que era um host. Vimo-lo “a levar com bocas” e a ser ridicularizado toda a temporada, mas agora, percebemos que foi um papel que Ford lhe deu. No fim, deixa passar Dolores/Charlotte, percebendo que era um dos seus, em disfarce.

Também ficamos a conhecer mais de Logan, o filho de James, que dá forma ao sistema da Forja. Encaminha-nos pela biblioteca de almas e personalidades, enquanto dá a conhecer os momentos finais com o seu pai, que definiram a vida de James, e também a morte de Logan.

A cena depois dos créditos (se não reparaste vai ver agora!) mostra-nos o Man in Black, numa casa parecida com a de James Delos, a falar com a filha dele em modo host, já que vimos a sua morte, anteriormente. Conversavam sobre fidelidade, o que nos indicou que era um robô onde foi implantada a mente do William.

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Créditos: HBO

Agora a questão é em que linha temporal isto aconteceu, será que as questões sobre a natureza da sua realidade eram fundamentadas? Os criadores da série já vieram dizer que se passará no “futuro longínquo”, até porque vemos o William a ser resgatado por Stubbs, no fim do episódio.

O elenco é magnífico. De ressalvar os atores mais experientes, Anthony Hopkins, que é o mastermind Ford, Ed Harris, que faz um Man in Black incrível, e Peter Mullan, que nos leva pela decadência de James Delos. Para além dos pesos pesados, Tessa Thompson fez um bom trabalho como Charlotte, principalmente quando tinha de agir como Dolores, e também o grupo que acompanhou Maeve.

A banda sonora esteve à altura da carga emocional do episódio, e foi desenvolvida por Ramin Djawadi. Para além disso, incluiu também clássicos de artistas como Radiohead e Rolling Stones.

Comparando com o final da temporada anterior, não teve tanto impacto, mas também trouxe revelações importantes, e deixou perguntas no ar para continuar a história. Por exemplo, de quem são as pérolas que Dolores conseguiu levar para o mundo exterior, e quais são os outros três parques.

Já se sabe que a série vai ter direito a uma terceira temporada, mas ainda não há data de estreia.