Love, Simon
Fotografia: Divulgação

Love, Simon: É revolucionário fazer mais um filme para adolescentes

Love, Simon
8.5

O meu nome é Simon e sou igual a ti. No essencial, a minha vida é totalmente normal. Com a exceção de que tenho um segredo enorme: Ninguém sabe que sou gay“. É assim que começa a história de Love, Simon. Um filme adolescente, daqueles que se vê em família ao domingo à tarde, com a particularidade de ser o primeiro de um grande estúdio que é centrado numa personagem homossexual.

Já todos vimos este filme: um jovem simpático, que podia ser o nosso vizinho do lado, numa escola secundária numa cidade pequena cheia de personagens estereotipadas – os desportistas, os nerds, os bullies, os miúdos do grupo de teatro… Já vimos este filme, mas nunca com um protagonista gay.

Love, Simon - Fotografia de grupo

E é aí que reside a vitória e a ‘revolução’ desta história. É só mais um teen movie, mas é o teen movie que os adolescentes gays de todo o mundo nunca tiveram. As histórias de amor, os romances pelos quais o público torce, nunca foram deles. Até agora. Love, Simon é um filme leve, mas bem feito, por quem o sabe fazer bem: o realizador Greg Berlanti, conhecido pelo seu trabalho como produtor em Riverdale e Dawson Creek.

O argumento, da autoria de Elizabeth Berger e Isaac Aptaker, é autêntico e verosímil. Não podia ser diferente: os dois vêm da equipa de This Is Us, que é, na televisão, um dos melhores exemplos de como fazer ficção diferente e cativante sobre histórias aparentemente esgotadas. Os atores, num elenco encabeçado por Nick Robinson, que um dia pode surgir num dicionário ilustrado ao lado da definição de ‘fofinho’, ajudam a que tudo funcione perfeitamente.

Love, Simon - Simon (Nick Robinson)É impossível não sentir empatia com as várias personagens do elenco, e em particular com a angústia de Simon, no seu receio de não ser bem compreendido ou de passar a ser visto de outra forma pelos amigos e pela família no dia em que decidir assumir a homossexualidade. E é assim, com entretenimento simples, mas atento à complexidade do momento que é um ‘coming out’, que se produz um filme que, por ser tão inocente, pode ser de incrível utilidade para pôr as famílias a falar do assunto e a ajudá-las a lidar com ele.

A película demonstra-se ainda especialmente inteligente na forma como se torna absolutamente familiar, ao juntar referências clássicas dos filmes de adolescentes dos anos 80 e 90, como O Rei dos Gazeteiros (Ferris Bueller’s Day Off) a um estilo mais contemporâneo, no qual A Culpa é das Estrelas ou Cidades de Papel surgem como as mais imediatas inspirações.

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A banda sonora é, também, um dos elementos mais importantes para esta contemporaneidade do filme. Jack Antonoff, o produtor por detrás de vários dos sucessos de Lorde ou Taylor Swift, é o supervisor musical. Assim, ao instrumental sintetizado de Rob Simonsen juntam-se refrões orelhudos e energia pop em faixas de Khalid, Troye Sivan ou Bleachers, que compõem o tom vibrante do filme.

O facto de Love, Simon encaixar num género tão testado e visto como o filme de adolescentes vai encaminhá-lo para, de forma previsível, desembocar em alguns clichés. No entanto, ninguém quis negar que estamos perante uma película redonda, de finais felizes e dramas simples de resolver. Falhas compensadas pela forma sincera e liberta como Simon descobre a própria sexualidade, bem como pela descomplicação com que isso chega ao espectador. Todos gostamos de histórias que nos ajudem a simplificar. Todos merecemos narrativas inofensivas, até porque para obtermos o contrário já temos a vida. Que é, em si, a aventura mais difícil de deslindar.

Simon e Leah - Love, Simon

Ficha Técnica

Título original: Love, Simon
Realização: Greg Berlanti
Argumento: Isaac Aptaker, Elizabeth Berger
Elenco: Nick Robinson, Katherine Langford, Alexandra Shipp, Josh Duhamel, Jennifer Garner
Género: Drama
Duração: 109 minutos

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