Com um disco novo ainda no forno, Lenny Kravitz subiu ao palco da Altice Arena para dar uma lição de rock n’ roll num concerto de duas horas. Já no fim, o norte-americano percorreu a plateia no seu próprio pé.

Apesar de estarmos em julho, São Pedro parece não querer ajudar com a meterologia. Nos arredores do Altice Arena, o ambiente era o habitual num final de tarde: havia circulação de pessoas mas nada de fora do normal.

Nos últimos 16 anos, Lenny Kravitz tem brindado o público português com a sua presença. Estreou-se em 2002 no Estádio do Restelo, com Macy Gray a garantir a primeira parte do espetáculo e a última vez foi no Festival Marés Vivas, no Porto, há três anos.

O concerto em 2018 é apenas o terceiro em nome próprio e por isso seria de antever uma atuação repleta dos maiores êxitos de uma carreira com mais de 30 anos. Há canções novas que antecipa Raising Vibrations,  o novo álbum de estúdio que será lançado em setembro.

O funk “amoroso” dos MF Robots

Antes do concerto de Lenny Kravitz, coube aos londrinos MF Robots assegurar o aquecimento. Com apenas um álbum editado, o octeto espalhou as energias do funk na Altice Arena.

Com duas vozes femininas a comandar o grupo e uma guitarra-baixo a dar as indicações do groove de cada música. O ostinato dominou grande parte das canções escutadas no pavilhão. Show me the love, Believe in Love e The Night is Calling foram alguns dos pontos altos dos 45 minutos de concerto por parte do conjunto britânico.

Lenny nas alturas

Faltavam 15 minutos para as 22 horas quando as luzes se apagam. O entusiasmo do público presente sobe num ápice e todos começam a chamar o anfitrião da noite. Os músicos sobem ao palco com uma escuridão quase total e ao som do saxofone de John Coltrane na faixa A Love Supreme Part 1: Acknowledgement.

Todos menos o Lenny Kravitz. A estrela da noite apanhou a plateia desprevenida quando começa a tocar o riff de Fly Away em cima de uma plataforma que se encontrava no palco.

Desta forma levantámos voo arrancando o primeiro momento karaoke da noite. Enquanto Lenny desce as escadas, o baterista prossegue com a entrada de Dig In, outro êxito que mantém o fasquia em alta. Sem tirar os óculos escuros, o norte-americano canta no centro e com os holofotes a recaírem sobre ele.

A distorção da guitarras ganham destaque em Bring it On e depois ouve-se American Woman, hino anti-guerra dos Guess Who, que ganhou uma nova popularidade graças a Lenny Kravitz. As influências musicais do músico norte-americano são diversas e por isso, mostra um arranjo reggae da mesma canção, com direito a aventurar-se Get Up, Stand Up de Bob Marley. De forma discreta mas ruidosa, três músicos de sopro sobem ao palco para complementar esta incursão musical.

Há uma pausa para respirar e para Lenny Kravitz contemplar a plateia do Altice Arena. “Estou aqui para causar boas vibrações e para gerar amor”, admite o músico. Face à declaração, os fãs manifestam-se de forma ruidosa, apesar de estar apenas meio pavilhão preenchido.

Depois de apresentar ao vivo dois temas do novo álbum ainda por editar, regressa às canções que o público quer ouvir. It Ain’t Over ‘Till It’s Over, Can’t Get You Off My Mind e Always on the Run é a sequência que se ouve para delírio da plateia.

Mamma Said continua a soar a rock ‘n roll destemido e sem espinhas. Já na casa dos cinquentas, Lenny Kravitz continua com o mesmo timbre de voz que habituou ao longo dos anos. Craig Ross, colega de armas e também ele uma estrela do rock, continua a emanar estilo com as suas poses que fazem lembrar Pete Townshend dos The Who.

Há tempo para apreciar um confronto amigável entre o trompetista e a guitarra de Lenny. Where Are We Runnin’ é o único tema incluído do álbum Baptism e Again faz derreter os corações das fãs presentes na Altice Arena.

Já em regime encore, Let Love Rule é o pretexto para Lenny Kravitz espalhar o amor ao percorrer a zona do Golden Circle de uma ponta à outra. Mas, no fim, Lenny pergunta: “Vais meter-me no meu caminho?” em Are You Going My Way e põe os espetadores a saltar ao som deste hino do rock

Duas horas de concerto depois, Lenny Kravitz conquista mais uma vez o público português. Ficamos à espera do novo álbum e também de uma nova passagem por terras portuguesas.