Nuno Artur Silva, ex-administrador da RTP, é o convidado desta semana do podcast Perguntar Não Ofende, conduzido pelo jornalista Daniel Oliveira. Quando questionado sobre a informação do canal público, não tem pejo em afirmar: “não é o José Rodrigues dos Santos que representa o que me parece que deve ser o serviço público neste momento“.

Defendendo que a informação da emissora estatal deve contar “com muitos rostos“, acrescenta que o jornalista “pode ser um dos rostos, sim“, mas considera que “não deve ser, com aquelas caraterísticas, sobretudo, digamos aquele estilo e aquele lado editorial que ele às vezes traz, o rosto do Telejornal em 2018“.

José Rodrigues dos Santos

O antigo administrador iliba-se, no entanto, de ter tentado fazer qualquer intervenção nesse sentido: “Quero aqui deixar muito claro que, nunca, em momento algum, enquanto administrador, fiz qualquer tipo de pressão para que acontecesse ou deixasse de acontecer uma alteração na situação do José Rodrigues dos Santos (…) Não era o meu papel e não o fiz.”

Foi no jornalismo que encontrei gente mais instalada

As decisões couberam sempre, como deve ser, aos diretores de informação“, sublinhou, admitindo em seguida que esta foi a área em que, depois de três anos, houve menos mudanças. “Foi dentro da área do jornalismo na RTP que eu encontrei gente mais instalada e ideias mais feitas, ou seja, parece-me que há muito trabalho a fazer aí“.

Quando eu cheguei à RTP, e quando nomeámos a nova direção de informação, não havia uma reunião de informação, havia uma reunião do Telejornal“, acrescentando que “no mundo das redes, do online, da RTP3, aquilo que foi feito foi que passou a haver reuniões que passaram a ter em conta todas as áreas da informação da RTP e não só o Telejornal. Parece que só havia o Telejornal, o que era uma herança dos tempos em que, de facto, só havia o Telejornal”.

No entanto, destaca alguns pontos positivos, nomeadamente terem acabado “os comentadores a falar sozinhos“, nomeadamente “os comentadores fixos que era dirigentes partidários ou membros do Parlamento português“.

Numa conversa de cerca de uma hora subordinada ao tema A televisão pública ainda serve para alguma coisa?, o antigo responsável pelos conteúdos do grupo público acrescenta que aquilo que mais o surpreendeu na empresa foi ter encontrado os trabalhadores “completamente desmotivados e desorientados sobre a própria missão de serviço público“, culpando as orientações completamente diversas que têm sido dadas à marca pelos vários governos e administrações.