A primeira incursão ao universo dos Incríveis aconteceu há 14 anos. A família de super-heróis tornou-se quase instantaneamente um dos símbolos mais irónicos da Pixar e assim se manteve até hoje. A sequela, The Incredibles 2: Os Super-Heróis, estreia a 28 de junho em Portugal e é um dos filmes de animação mais aguardados dos últimos anos. 

Mais de uma década se passou desde o primeiro filme de Os Incríveis, mas para a família Parr a distância temporal é de alguns meses apenas. Ao contrário do que muitos esperavam, os primeiros teaser trailers confirmaram que não existiria qualquer salto temporal. Nós envelhecemos mas, na animação, dez anos podem ser dez minutos e, ao fim de contas, é esta a magia do formato. 

Os acontecimentos da ilha estão ainda recentes na mente dos nossos incríveis heróis. O mal foi derrotado e o quotidiano regressou à sua normalidade. Mas o que significa normal no seio desta família?

Pixar – © 2018 Disney/Pixar.

Todos somos especiais

A problemática do primeiro filme continua a ser organicamente explorada no segundo.  A questão prende-se com a legalização ou não dos super-heróis. Nas produções Pixar, a moral da história está sempre presente, pelo os seus conteúdos são distintamente simbólicos, certas mensagens do estúdio são demasiado adultas para a perceção dos mais novos e as suas longas-metragens transcendem gerações. Incredibles 2 transmite uma mensagem simples, universal e acessível à compreensão por parte de toda a família. É um verdadeiro filme familiar, uma fita com uma modesta moral: a de aceitar o outro por aquilo que é. Todos somos iguais e únicos na nossa diferença, sejamos comuns mortais ou super-heróis. 

A película transmite outro importante valor: o de que uma boa acção pode ser interpretada como algo negativo e vice-versa, tratando-se tudo de uma questão de perspetiva. Esta mensagem é um pouco mais complexa e bastante pertinente para o mundo em que vivemos em 2018. As notícias e a forma como podem ser manipuladas é também um tema que, de forma subliminar, domina a narrativa deste segundo capítulo. Assim, um filme simples, com uma premissa simples, torna-se um pouco mais complexo e urgente.

No rescaldo do primeiro filme, os super-heróis continuam a passar um mau bocado. A sua actividade é considerada ilegal e são obrigados a viver nas sombras. Toda esta clandestinidade forçada cria tensões no seio da nossa família favorita de super-heróis, os Parr. Viver com um segredo, a não celebrar algo que deveria ser motivo de celebração, é o problema que os nossos heróis têm em mãos. Até ao momento em que um poderoso magnata empresarial desconhecido decide ajudar todos os super-heróis do mundo. 

Pixar – © 2018 Disney/Pixar.

One woman’s show

Está na hora de inverter a lei injusta em vigor. Para atingir o objectivo e mostrar os heróis numa luz mais favorável, a mulher elástica é chamada à acção, para combater o mal em frente a uma câmara, para todo o mundo ver. Aqui está mais uma chamada de atenção ao prisma do mundo actual: algo só é reconhecido se for gravado, divulgado e partilhado. Este bem-feitor considera o toque feminino da mulher elástica mais discreto e eficaz do que o modus operandi de Mr.Incredible e este pequeno twist feminista, digno de 2018, faz com que o filme opere uma curiosa “reversão” de papéis. 

Pixar – © 2018 Disney/Pixar.

Em Incredibles 2: Os Super-Heróis, Helen Parr é a heroína que o mundo precisa enquanto Bob é um pai dedicado, a tentar lidar com os dramas da adolescência que atormentam a filha mais velha, Violet, os problemas matemáticos de Dash e com o descontrolo crescente dos poderes de JackJack. Esta última parte proporciona, sem margem para dúvida, os melhores momentos da fita. Tínhamos terminado o último filme com a pista de que o membro mais novo da família teria afinal tinha poderes e, na sequela, assistimos ao seu desenvolvimento, que não poderia ser melhor nem capaz de arrancar mais gargalhadas à audiência.

No meio de tudo isto, surge um novo vilão e a família Parr precisa de se unir, não só a Frost, mas a um bando de outcasts super-heróis para conseguirem derrotar a ameaça. O objectivo? Legalizar os super-heróis e retirá-los da sombra. 

Incredibles 2 é um filme divertido, leve, que nos dá tudo o que queríamos e merecíamos, 14 anos depois. Não é particularmente inovador, movendo-se em território muito semelhante ao do primeiro filme, tanto em termos temáticos como estilísticos, mas permite matar saudades de um fenómeno que merece a sua popularidade e que sem dúvida só a reforçará daqui em diante. 

7/10

Título original: Incredibles 2

Realização: Brad Bird

Argumento: Brad Bird

Elenco: Craig-T. Nelson, Holly Hunter, Samuel L.Jackson, Sarah Vowell, Isabella Rossellini, Jonathan Banks, Bob Odenkirk, Sophia Bush

Género: animação, acção, aventura

Duração: 118 minutos