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Rock in Rio Lisboa: Show das poderosas mas o rei foi Bruno Mars

O primeiro fim de semana do Rock in Rio Lisboa terminou com um dia de lotação esgotada. Bruno Mars levou as cerca de 90 mil pessoas no Parque da Bela Vista ao rubro. Houve fogo de artíficio, houve dança e houve, sobretudo, uma atuação digna de rei.

Depois de um dia em que o rock encabeçou o Palco Mundo no festival Rock in Rio Lisboa, foi a vez da música pop tomar conta do Parque da Bela Vista. Depois da abertura das portas ao meio dia, deu-se a correria das fãs para as grades para garantir o melhor sítio para ver o concerto de Bruno Mars, que se iniciaria às 23 horas.

As horas foram passando e assistia-se a ambiente cada vez mais diversificado no que diz respeito ao público. Via-se pais com os filhos, casais de namorados, grupos de adolescentes. Ou seja, reinou um ambiente muito familiar e, também, predominantemente feminino.

No resto do recinto, podiam-se apreciar espetáculos de rua baseados no filme Moulin Rouge na Pop District e, na Rock Street, cenas dignas de filmes como Indiana Jones, com cobras à mistura.

“A minha pátria é a língua portuguesa”

Mas antes do concerto do grande cabeça de cartaz deste dia, houve música no palco Music Valley. Foi com um sample do verso de Fernando Pessoa que os Língua Franca deram início ao seu concerto. O “super-grupo” de hip-hop luso-brasileiro, que junta a rapper portuguesa Capicua com os brasileiros Emicida e Rael, entrou para tomar de assalto o vale de música.

Ao vivo costumam ter também Valete, que participou no único álbum da carreira deste projeto até à data. No entanto, neste festival, convidaram Sara Tavares para participar nesta celebração da língua portuguesa.

A artista cabo verdiana subiu ao palco para cantar Afrodite e deixou-se ficar por lá para se ouvir Coisas Bunitas, do seu mais recente trabalho Fitxadu.

Entre samples de hip-hop de velha escola e passagens por Vayorken, “a chapa esteve quente” durante a atuação dos Língua Franca.

O espetáculo das Mulheres Maravilha

Quando faltavam 15 minutos para as 20 horas, o fenómeno da música brasileira chamado Anitta entrou com apenas um pensamento em mente: causar impacto no Palco Mundo. Hoje em dia, é praticamente impossível evitar os êxitos de discoteca e os milhares que se juntavam àquela hora tinham a lição bem estudada

O conceito foi simples: cantar, desfilar, fazer poses, mudar de roupa, repetir procedimento. Acompanhada com bailarinas com trajes menores e com estaturas variada, Anitta começou com um Bang, fez um Romance com Safadeza, relembrou que é malandra (Vai Malandra) e, no fim, Show das Poderosas encerrou o espetáculo de variedades que foi Anitta.

Seguiu-se a estreia de Demi Lovato em solo português. A antiga estrela de filmes juvenis do Disney Channel é hoje uma mulher com 25 anos e uma artista com uma carreira sólida no universo pop norte-americano.

A verdade é que passam 10 anos desde que editou o seu primeiro álbum de originais e, desde então, lançou seis discos. No Parque da Bela Vista, apresentou-se com uma banda altamente competente que fez com que Demi Lovato brilhasse ainda mais.

A atuação de Cool for the Summer é o exemplo perfeito que resume a essência do concerto da norte-americana: mostrou técnica de voz e coerografia bem executada, sustentada por uma conjunto de músicos também eles irrepressíveis.

Os Lovatics (a forma como a cantora denomina os seus fãs) presentes gostaram tanto que insistram e muito por um encore, mas Demi Lovato não regressou.

Viva o Rei!

“Música não é fogo de artíficio. Música é sentimento”. Foi esta uma das frase que Salvador Sobral proferiu quando venceu, de forma inédita, o festival da Eurovisão em 2017. Bruno Mars é capaz de ser a única excepção que consegue juntar, literalmente, fogo de artífico com uma atuação de emoções fortes.

No BI aparece Peter Hernandez, mas o mundo conhece-lo por Bruno Mars. O nome artístico deve-se a uma alcunha dada pelo seu pai, que, quando era criança, achava-o parecido com pugilista Bruno Sammartino e a parte do Mars deve-se pelo mesmo considerá-lo de outro planeta. E assim nasceu uma estrela.

Oito anos depois do lançamento de seu primeiro disco em 2010, o havaiano chega ao Rock in Rio Lisboa como um dos maiores nomes da música da sua geração. Afinal de contas, fez com que 90 mil pessoas deslocassem ao Parque da Bela Vista para vê-lo.

A festa começou de forma rija com o cantor e a sua trupe de músicos endiabrados em pleno Palco Mundo, a encantar os milhares de espetadores na plateia, principalmente o público feminino.

24k Magic foi a explosão. Fogo de artíficio megalómano a acompanhar as linhas melódicas dos sintetizadores do tema que dá nome ao último registo lançado pelo artista.

De seguida, ouve-se Treasure que consegue intensificar os coros vindos da plateia. Neste ponto é praticamente impossível não ceder ao charme que Bruno Mars emana com o seu sorriso.

Em Calling All My Lovelies, o cantor declara: “Eu quero você, meu amor” num português bastante perceptível. Num concerto de Mars há tempo para tudo: para dançar (Chunky e That’s What I Like), para cantar em uníssono (Marry You), ter momentos mais intimistas (When I Was Your Man) e também assistir a solos de saxofone e de piano.

Uma atuação de emoções fortes, corroborada pelo carisma do norte-americano e pelo profissionalismo da banda que o acompanha. A reta final foi o desfile dos maiores êxitos: Locked Out of Heaven, Just The Way You Are e, já no encore, Uptown Funk.

Bruno Mars é rei. Longa vida ao rei!

Para semana, há mais dose de música no Rock in Rio Lisboa, com The Killers e Katy Perry como principais atrações.

Fotografias de Beatriz Silva. Bruno Mars não autorizou a captação de imagens

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