O primeiro dia da oitava edição do Rock In Rio Lisboa tinha como principal atração os Muse. Contudo, antes do grande cabeça de cartaz, o Parque da Bela Vista foi brindado com atuações no feminino que deixaram a sua marca no festival.

O dia previa calor, muito calor. Quando as portas se abriram às 12 horas em ponto, os termómetros marcavam mais de 30 graus. Mas a ânsia de milhares de festivaleiros em querer entrar à Cidade de Rock era muita e por isso não os demoveu para ajuntaram-se junto dos portões que davam acesso ao Parque da Bela Vista.

Para além da música, o Rock In Rio também é conhecido pela diversidade de atrações que são, à sua maneira, imagens de marca do festival. A roda gigante, a Rock Street, o palco Street Dance e as dezenas de profissionais que trabalham pelo recinto já vão fazendo parte da identidade do evento.

Este ano, o festival quis inovar com o Pop District e o Digital Stage dando destaque à cultura pop e aos vloggers portugueses. Isto significou a abundância de cosplayers (pessoas mascaradas) dos universos fantásticos da ficção. Desde Star Wars, Suicide Squad, Piratas das Caraíbas e até Samurai X (Rurouni Kenshin para os mais puristas) são apenas alguns dos exemplos das figuras que circulavam por este local.

E a música?

Apesar de ter havido atuações que apimentavam o clima de calor que se sentia na Bela Vista, foi no Music Valley que se protagonizou os primeiros momentos marcantes da tarde.

A banda que teve o privilégio de inaugurar este recém batizado “palco secundário” foi o duo brasileiro Anavitória. Naquele que foi o primeiro concerto fora do seu país, as vozes de Ana Clara Caetano e Vitória Falcão protagonizaram um momento refrescante nessa tarde.

Esse sentimento de frescura veio da harmonia de vozes que ambas tinham. Acompanhadas por um conjunto de músicos, o timbre da guitarra da Ana Caetano enterneceu o público que se encontrava no vale do festival. Temas como Amor em 2 em 1 e Singular são provas desse sentimento.

No outro canto do recinto, Diogo Piçarra teve a responsabilidade de abrir o Palco Mundo do Rock In Rio Lisboa 2018. O cantor português conseguiu demover uma legião de fãs e provou que tem “estofo” para abrir um palco desta dimensão.

Com figurantes que se tornaram num apíce em bailarinos, Era Uma Vez deu ínicio ao alinhamento. Nas dois temas seguintes, o cantor desceu do palco para cumprimentar fãs e chegou mesmo a fazer um mini crowd surf. Incrédulo, Diogo Piçarra dirige-se ao público: “É inconcebível estar neste palco. Faz-me sentir que estou no paraíso”.

 

Uma raposa chamada Da Chick

Numa correria entre palcos, o Espalha Factos teve oportunidade de conversar um bocadinho com Teresa de Sousa, mais conhecida pelo seu alter-ego funky Da Chick. A artista e performer tem dado que falar nos últimos três anos. Editou o seu primeiro álbum em 2015 e, no ano passado, lançou o EP Call me Foxy.

Não é a primeira vez que Da Chick pisa um palco na cidade, mas será a estreia com o seu projeto e a sua Foxy Band. O facto de estar a tocar num festival desta dimensão com um público diversificado é encarado desafio para a artista. “Vejo isso como algo positivo. Eu acho que não há razões para não mexer esse rabo […] Vai ser um mometo único [porque] tenho a Foxy Band comigo que apenas vem para momentos especiais e só isso traz logo muita cor para o palco”.

Questionada sobre o que sente quando está em cima do palco, Da Chick confessa que está concentrada a “curtir o momento” que nem se apercebe das peripécias que por vezes acontece nas atuações ao vivo. “Eu vou sempre muito feliz e num estado de espírito muito especial. De vez em quando ‘acordo’ com a reação do público”.

“O mundo de Carolina”

Às 19 horas, Carolina Deslandes sobe ao palco do Music Valley. No passado mês de fevereiro, a cantora afirmou ao Espalha Factos que o concerto no Rock In Rio Lisboa como sendo um desafio a superar. Apresenta-se com um vestido de cores tropicais, enquanto que os músicos que a acompanham estão de branco.

A frente do palco está decorada também com flores brancas e o ecrã gigante detrás dos músicos é complementado com gravações de ilustrações a serem desenhadas. À primeira vista, parece ser um pequeno pormenor cénico, mas dá uma substância às músicas de Carolina Deslandes e sobretudo ao “calor” da sua voz.

Depois de um medley que juntou Britney Spears, Da Weasel e Ornatos Violeta no mesmo arranjo, a cantora de 26 anos interpreta A Vida Toda e acaba em lágrimas. Já antes, o músico e marido Diogo Clemente tinha subido ao palco para tocar com Deslandes. Acabou num beijo apaixonado, que conseguiu arrancar ovações do público presente. Emoções ao rubro no Music Valley do Rock in Rio.

O girl power das Haim e a escaldante Da Chick

Já no palco Mundo, as irmãs Haim começaram a sua atuação com uma forte ênfase na percussão. Falling deu início de forma oficial ao alinhamento. O carisma das irmãs Este, Danielle e Alana Haim é visível na linguagem corporal. Se houvesse prémio de maior número de caretas durante um concerto, a baixista Este vencia sem margem para qualquer de dúvidas.

O pop-rock leve com toques de dança e o casamento das vozes Haim fizeram com que o público ficasse enfeitiçado, tal como se tratasse de marinheiros a serem hipnotizados por cantos de sereia. Neste caso, o resultado foi num bom final de tarde. Ready for You, Want You Back e The Wire foram alguns dos pontos altos da atuação. O concerto terminou como começou: com um momento de percussão intenso.

Enquanto que os britânicos Bastille abrilhantavam a noite com o seu rock e faziam suspirar as fãs, no Music Valley Da Chick dava uma lição de funk n’ roll aos espetadores. A dada altura, a artista exclama: “I just love what I do”. Esta frase resume por inteiro a sua atuação. Atrevida, sem medo de dizer o que pensava, e sobretudo com um sentido musical genuíno. Da Chick dançou e (en)cantou opúblico com o seu charme.

Os cavaleiros do rock

Já passavam 10 minutos das 23 horas, quando os Muse subiram ao Palco Mundo. Os britânicos são uma banda bastante acarinhada pelo público português, tendo brindado com a sua presença de forma quase assídua nos últimos anos.

No Rock in Rio Lisboa, é a terceira vez que pisam o Palco Mundo, sendo que a primeira aconteceu há 10 anos. Apenas com músicas novas para mostrar, os Muse tinham, à partida, um alinhamento centrado em êxitos. E foi assim que aconteceu.

Se Thought Contagion foi o rastilho, então Psycho foi o fogo. Seguiu-se Hysteria precedida por homenagens de Matt Bellamy a Rage Against the Machine e AC/DC.

A predominânica da guitarra continuou com Plug in Baby, levando o público ao delírio. Os ânimos acalmaram um pouco em The 2nd Law: Isolated System e na música nova Dig Down, mas em Resistance o público pôs os corações ao alto para cantar o seu refrão orelhudo.

A guitarra de Matt Bellamy voltou a ser determinante em Supermassive Black Hole, tendo usado a língua para fazer um efeito no seu instrumento de cordas. Stockholm Syndrome protagonizou, talvez, o momento mais pesado da noite, agradando aos fãs de longa data do trio britânico.

Madness e Starlight foram os momentos karoake da noite. Nesta última, o protagonista do costume desceu do palco para cumprimentar o público que encheu  o Parque da Bela Vista. Quando voltava para o palco, soltaram-se balões e confettis para embelezar este momento de comunhão.

Já no encore, os Muse deixaram o público cantar mais alto em Uprising e, por fim, Knights of Cyndonia encerra a demanda dos ingleses: perpertuar o rock a nível global.

O primeiro fim de semana do Rock in Rio Lisboa 2018 termina com Bruno Mars como cabeça de cartaz do Palco Mundo. O norte-americano fez esgotar a lotação do Parque da Bela Vista a mais de dois meses antes do dia.

Fotografias de Beatriz Silva e fotografia de destaque gentilmente cedida pela organização do Rock in Rio Lisboa