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Fonte: Time

“Love, Simon”: A simplicidade de um romance gay

Depois de Love, Simon, se estrear no Mardi Gras Film Festival 2018, na Austrália, chega finalmente nos grandes ecrãs portugueses. O terceiro filme realizado por Greg Berlanti é a adaptação do livro Simon Vs. A Agenda Homo Sapiens, de Becky Albertalli. A história, que tem como protagonista um adolescente homossexual, aborda uma questão urgente mas sem grandes pretensões.

Simon (Nick Robinson) é um jovem americano que tem uma vida completamente normal. Estimado pelos pais (Jennifer Garner e Josh Duhamel), pela irmã e pelos fiéis amigos, Simon só tem um segredo: é gay. Ao ler um texto num blog de um colega anónimo da sua escola que revela ser homossexual, Simon começa a trocar mensagens com essa pessoa, que se auto-intitula Blue. Ao mesmo tempo que tenta descobrir com quem anda a falar, procura arranjar coragem para contar o seu segredo aos mais próximos, o que não é fácil, por mais amoroso que seja o cenário.

Foto – Divulgação

A representação LGBT nos cinemas e na televisão já deixou de ser tabu. Os exemplos mais evidentes dos últimos tempos são Moonlight (2016) ou mesmo Call Me By Your Name (2017). No entanto, todos os filmes que abordam esta temática precisam de ter histórias densas e cheias de sentimentalismo. Love, Simon é o exemplo de uma obra cinematográfica simples que diz tudo.

Greg Berlanti tem o objetivo de mostrar a rotina de um adolescente, com a abundância de novas experiências típicas da idade, através da visão LGBT. A marca deste filme prende-se com o facto de conseguir mostrar, na medida certa, a vida de um rapaz gay que não se resume à sua orientação sexual mas cuja vivência e forma de encarar o dia a dia são influenciadas por isso. O filme não aborda a orientação sexual como uma descoberta, mas sim como algo que já existia e que, pela primeira vez, interferiu no meio social de Simon.

Com um elenco já conhecido pelo público, Simon não fica sozinho no ecrã. O enredo, que se desenvolve ao longo de quase um ano, torna-se mais versátil quando se juntam as personagens secundárias. A começar pelo grupo de amigos do protagonista, Leah (Katherine Langford), Abby (Alexandra Shipp) e Nick (Jorge Lendeborg Jr.) e a acabar no seu colega de escola que o chega a chantagear, Martin (Logan Miller). A presença destes chama à atenção do espectador para as suas próprias histórias e maneiras de ser, que até são interessantes.

Foto – Divulgação

Outro facto que torna Love, Simon um filme agradável é não tratar o protagonista como um “santo”. Enquanto tenta sobreviver ao provocante ambiente escolar, a personagem de Nick Robinson acaba por se descontrolar e toma decisões contestáveis noutros domínios da sua vida. Á medida que se esforça para sair de uma situação incómoda, cria outras ainda mais incómodas, mas sempre com grande simplicidade, talvez característico da adolescência.

Apesar de não se revelar um filme extraordinário, Love, Simon é revolucionário já que é um romance adolescente gay. A sua temática e a execução da sua abordagem abre portas à diversidade no mundo do cinema, considerando a temática “banal” como qualquer outra.