António Conde, mais conhecido por MC Demo, dos Expensive Soul, esteve à conversa com o Espalha-Factos. O pretexto foi o novo single, Limbo, que antecipa o quinto disco do grupo portuense. Contudo, também houve tempo para fazer um balanço dos quase 20 anos de carreira.

Mais conhecido pelo nome artístico Demo, o mestre de cerimónias dos Expensive Soul falou connosco sobre o que podemos esperar do aguardado álbum do coletivo vindo da Leça da Palmeira, que, ao que tudo indica, será editado no final de 2018.

Afinal de contas, já passaram quatro anos desde que o último registo (Sonhador) foi posto nas prateleiras das lojas e, por isso, a expectativa de novo material é cada vez maior. No entanto, Limbo, a primeira amostra do disco ainda sem título, serviu como pontapé de saída para desvendar o novo trabalho.

“A música fala de uma relação de amor, que passa por bons e maus momentos e da necessidade também de não ficarmos ‘presos” a uma pessoa, daí a expressão limbo. No caso do videoclipe, isso não acontece, mas nesse caso em concreto, a ideia base consistiu em retratar uma história de vida”, esclarece Demo.

O músico refere mais do que uma vez, ao longo da conversa, que “as pessoas merecem este álbum”. MC Demo salienta que as 10 canções deste trabalho discográfico foram elaboradas tendo em conta dinâmicas que, no seu ponto de vista, já não são perduram no mainstream musical.

“Queremos apresentar ao público música feita com ‘alma’. Infelizmente, agora com a facilidade dos computadores, as coisas estão cada vez mais plastificadas. Não queremos perder essa humanidade”.

Sobre o disco como um todo, o mestre de cerimónias portuense realça que o álbum foi um dos mais difíceis de compor em termos líricos. Em termos musicais, o mesmo explica que houve uma urgência de voltar aos métodos analógicos com o objetivo de se reinventarem enquanto banda. “É um disco diferente de todos os outros que já fizemos […] foi inspirado [musicalmente] entre o final dos anos 1980 e início dos anos de 1990 e tem uma vibe muito boa”, garante.

Quase 20 anos de carreira

Os Expensive Soul juntaram-se no último ano do século XX e lançaram o primeiro álbum em 2004. Entre uma mão cheia de êxitos, coliseus lotados e um concerto com uma orquestra, a banda portuense é hoje um dos grandes projetos musicais portugueses das últimas duas décadas.

Como explicar o sucesso desta banda? Em três palavras: “Exigência connosco próprios”. O músico esclarece esta ideia: “Nós levamos a música a um grau tão exigente que encaramos como uma missão [se tratasse]. Temos que transmitir aos técnicos, aos músicos e às pessoas a nossa energia”.

Quando questionado sobre qual momento destacaria em 19 anos de carreira dos Expensive Soul.“É difícil escolher apenas um porque, felizmente, foram muitos, mas os concertos nos coliseus [que resultaram num álbum ao vivo] são capazes ser um dos pontos altos“, afirma MC Demo.

Demo não se cansa de referir as suas referências musicais, como Stevie Wonder ou Michael Jackson, foram decisivas para traçar o percurso. Mas sublinha, que nos primórdios da banda, a sonoridade que praticavam era pouco compreendida.

Lembro-me que [no início da década de 2000] havia apenas um produtor que conhecia bem o soul norte-americano. De resto, [a imprensa] chegava mesmo a criticar sem fundamento o nosso trabalho. Nesse aspeto, o tempo dá sempre a melhor resposta”, assegura.

Em jeito de retrospectiva, o músico realça o mais importante neste percurso. “Se lutares e fores autêntico tudo vai acontecer da melhor forma”. Sobre o panorama musical atual, confessa: “Não é de mau agrado, mas hoje em dia, já pouca música me toca. A essência elevava a música ao grau máximo. Não sei o que se passa. É diferente”.

O quinto álbum dos Expensive Soul ainda não tem nome nem data de lançamento, mas Demo confirma que estará disponível lá mais para o final do ano.