Com sete álbuns na manga, Black Milk parece ser, ainda, um nome desconhecido na cultura mainstream do hip-hop norte-americano. Este, no passado dia 25 de maio, deu um concerto para aquela que seria a sua “maior audiência” da digressão europeia, no Musicbox Lisboa. Desse modo, o Espalha-Factos não pôde deixar perder a oportunidade de registar este momento.

O hip-hop de ‘Fever’

Surgindo, em primeiro lugar, a sua Nat Turner Band, que preparava o ambiente que iria acompanhar o homem que iria expulsar rimas durante uma hora e meia de concerto. Black Milk aparece preparado para apresentar o seu novo álbum, Fever, e, logo de início, se entrega a ele, com um punhado de músicas deste disco.

Porém, eram muito mais do que apenas canções. Com a devida experiência que tem, Black Milk sabia moldá-las, em conformidade daquilo que o público pedia e vice-versa. Na sua data de  estreia, o artista conseguiu criar uma relação inexorável com o povo lisboeta e o mérito é todo seu e do grupo musical que o acompanha.

Uma história musical de Black Milk

Vamos a meio e decide-se fazer uma retrospectiva: The MatrixStory and Her ou Losing Out são tocadas sempre com um toque de improviso, de dinâmica que contagia um público que, talvez, em primeira instância, tenha comprado o bilhete “à experiência” e, no fim, fã se torna.

No entanto, poucos hits, ainda que a fama deste jovem de Detroit seja reduzida, foram tocados. Já o próprio artista tinha insinuado que, dado que era a sua estreia, queria ele próprio mostrar as músicas que achava serem as mais apropriadas. E não desiludiu.

Após um espectáculo atrevido, ambicioso e, todavia, humilde, como demonstra a personalidade do produtor, rapper e compositor, sente-se quase um sentimento de injustiça saudável. Desse modo, o que temos a pedir é, simplesmente, isto: que o sonho de Detroit continue.