Vários especialistas apontam que o plástico, quando exposto a temperaturas mais altas, contamina a comida com substâncias perigosas para a saúde.

O que para muitos era mito, vem agora ser confirmado por especialistas: aquecer a comida em recipientes de plástico pode desencadear várias doenças, nomeadamente cancro. O uso repetido de biberões de plástico também pode acarretar riscos para saúde dos bebés. 
O principal foco são os aditivos usados no plástico, para o tornarem mais maleável, segundo uma investigadora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa – Conceição Calhau. As consequências poderão ser mais graves quando se fala de plásticos importados da Ásia, sem controlo de qualidade.

Conceição Calhau revelou à Rádio Renascença que “os aditivos usados nas embalagens de plástico interferem no nosso sistema hormonal, podendo desencadear várias doenças, nomeadamente o cancro”.

A investigadora – que se dedica essencialmente ao estudo do impacto do plástico na saúde pública – revela ainda que a presença de plásticos no corpo humano pode ser detetada apenas com uma simples análise à urina.

São más notícias para quem gosta de “marmitar”: a investigadora recomenda que “não se usem embalagens de plástico, para aquecer comida no micro-ondas” e adverte quem costuma levar o almoço para o trabalho na marmita que “não deve aquecer nela os alimentos” ou, em alternativa, que se usem recipientes ou marmitas de vidro.

Foto: Pixabay

A substância mais conhecida e também a mais prejudicial é o Bisfenol A. O Bisfenol A, também conhecido pela sigla BPA, é um composto muito utilizado para fazer plásticos de policarbonato, sobretudo marmitas e garrafas de água. Quando esses recipientes entram em contacto com alimentos muito quentes ou quando são colocados no microondas, a substância acaba por contaminar o alimento e é consumido juntamente com a comida.

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Como identificar as embalagens com Bisfenol A

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Em relação aos biberões – que no primeiro ano de vida do bebé são, habitualmente, de plástico – Conceição Calhau faz um alerta: são um verdadeiro risco para a vida do bebé. Os investigadores da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova fizeram análises a biberões de plástico vendidos em lojas chinesas e chegaram à conclusão de que “há migração dos aditivos do plástico para o corpo do bebé e que essa migração aumenta a cada reutilização”.

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Carlos Campos, que trabalha na indústria de reciclagem de resíduos urbanos, referiu, também em entrevista à RR, que o risco para a saúde pública não vem apenas dos biberões vendidos nas lojas chinesas. A ameaça estende-se a “muitos outros produtos”.

Para Carlos Campos, o problema vem essencialmente “da falta de controlo sobre a qualidade dos produtos que são importados do continente asiático. A Europa (…) deixa entrar no seu território produtos que não são sujeitos a controlos de qualidade comparáveis com os que são impostos aos europeus.