Depois de Project 11, de colaborações com Drake, Stormzy e Kali Uchis (entre outros) e de um BRIT Critics’ Choice Award conquistado, Jorja Smith apresenta-nos o seu álbum de estreia: Lost & Found. A cantora britânica lançou o disco a 8 de junho, precisamente três dias antes de celebrar o 21.º aniversário.

Numa conversa com Julie Adenuga para a Beats 1, Jorja Smith explicou que o amor é um dos temas principais do trabalho. Referiu ainda que o primeiro álbum é desprovido de qualquer feature; de facto, a única voz que se ouve é a de Jorja. “Não há colaborações no meu primeiro álbum. Sou só eu”, disse a cantora na entrevista.

Com efeito, o álbum mostra maturidade e independência. Jorja Smith desenhou as linhas do disco com liberdade, tornando-o completamente dela. É um trabalho repleto de canções sobre os mais variados tipos de amor, de produções musicais eficazes e, sobretudo, da voz maravilhosa de Jorja.

Capa de Lost & Found (Divulgação)

“I’ve been lost, I’ve been lost again and I’ve been found
Then I found myself but I’m constantly finding myself” (February 3rd)

O álbum começa com a música que lhe dá nome – e nem podia ser de outra maneira. Durante grande parte do disco, a cantora britânica explora a ideia de Lost & Found e associa-a com o sentimento de estar apaixonada. Canta o amor como se fosse um estado de “perdidos e achados”, de altos e baixos, de alegria e tristeza. Da mesma maneira, a faixa February 3rd, que surge dois lugares depois no alinhamento do disco, fala sobre uma relação em ruínas. “Why don’t you lose yourself for me?”, canta a protagonista, que duvida do sentimento do parceiro.

Entre as duas músicas, estão dois singles já por nós conhecidos. Teenage Fantasy desenha o cenário de um amor adolescente, cheio de incertezas, próprio de um coração jovem. Where Did I Go?, por outro lado, faz transparecer a confiança de quem avança de uma relação que não está a funcionar. “Eu gosto de amor. Adoro pessoas apaixonadas e comédias românticas. É possível experienciar amor de tantas formas”, explica Jorja a Julie Adenuga.

À medida que o disco gira, as influências musicais de Jorja Smith vão sobressaindo. Em temas como The One e Tomorrow, a cantora dá a conhecer a sua faceta soul. Adorna as músicas com a sua voz angelical e entrega-se à música com todo o seu coração, fazendo lembrar, por exemplo, Amy Winehouse ou Adele. Já em Lifeboats (Freestyle), Jorja deixa-se levar pelo flow da batida produzida por Tom Misch e canta sobre uma sociedade que considera injusta ao estilo de Lauryn Hill.

“Even money sinks to the bottom when it’s waterlogged
So nobody truly stays afloat” (Lifeboats)

Ainda antes do álbum acabar, surge Blue Lights, o primeiro single da carreira da cantora, lançado pela primeira vez em 2016 – e faz todo o sentido que tenha sido incluído no alinhamento. Desde a lírica complexa, à melodia e à própria história do tema, a música é o culminar de tudo o que Jorja nos mostrou que sabe fazer ao longo destes dois anos.

Lost & Found acaba com Don’t Watch Me Cry, uma balada em que a protagonista canta o desgosto de uma relação acabada. Jorja mostra-se frágil, triste e insegura. Concluir o trabalho desta maneira sublinha a maturidade que a cantora britânica teima em mostrar, apesar de ser tão jovem. Ela própria se considera uma “alma velha”.

Jorja Smith veio para ficar. No entanto, Lost & Found também tem os seus pontos mais baixos. O amor é um tema demasiado recorrente no álbum, por exemplo. As músicas em que são abordados outros assuntos são interessantíssimas, mas escassas. Há momentos no disco em que parece que nos perdemos no meio de músicas demasiado simples. Contudo, da mesma maneira que nos perdemos (e tal como o nome do álbum indica), voltamos a encontrar-nos mais tarde em canções facilmente relacionáveis com a nossa experiência pessoal. Com tudo isto, uma coisa é certa: Lost & Found dá o primeiro passo da carreira da britânica, que se revela, no mínimo, promissora.

Avaliação: 7/10