Muito provavelmente já deves ter ouvido o conhecido provérbio “Na confiança está o perigo”. Por mais que pareça sensacionalista, não é difícil conhecer histórias que ilustram muito bem essa afirmação, estes dois filmes são duas delas.

Por se tratar de um tema bastante comum na sociedade, afinal traição ou a micro traição já foi praticada de diversas formas, não é de se estranhar que uma indústria como a do cinema tenha escolhido esse tema para servir de ‘pano de fundo’ de diversas produções. Basta uma simples pesquisa no Google para comprovar que infidelidade nas relações afetivas sempre esteve em evidência.

A traição já foi abordada de diversas formas nos grandes ecrãs, passando por comédias românticas a dramas de época. Dois grandes exemplos que mostram como esse tema pode ser apresentado de formas tão distintas são os filmes Não Há Duas Sem Três protagonizado por Cameron Diaz e Leslie Mann e o drama histórico dinamarquês de 2012, Um Caso Real protagonizado por Mads Mikkelsen e Alicia Vikander.

O gênero da comédia sempre deu longa margem para explorar situações que normalmente na vida real seriam impossíveis de acontecer. Em Não Há Duas Sem Três o cineasta (e também ator) Nick Cassavetes (de Um Ato de Coragem e Alpha Dog) conseguiu tornar credível – e engraçada – a aproximação entre três mulheres que, sem saber, estão a dividir o mesmo homem.

Foto: Divulgação.

No filme, a sempre simpática Cameron Diaz vive Carly – advogada bem-sucedida que acidentalmente acaba por descobrir que o seu namorado, Mark (Nikolaj Coster-Waldau da série Game of Thrones) é casado com outra mulher, Kate (Leslie Mann). Neste momento ambas resolvem unir forças contra o pinga-amor Mark para simplesmente ter o prazer da vingança. Uma estranha amizade começa a nascer entre elas, mas a situação fica ainda pior quando elas descobrem que uma terceira mulher está envolvida, a jovem Amber (Kate Upton). Logo, a terceira pretendente une-se ao grupo para dar uma lição no marido infiel. Assim se desenrola a trama de  Não Há Duas Sem Três, divertida e inusitada comédia que é um grande exemplo de como a traição pode ser abordada de forma descontraída e leve, diferente da abordagem do nosso segundo exemplo.

Em Um Caso Real o que vemos é uma abordagem madura. Todo o contexto de época envolvido, como a quebra da fidelidade, pode ter consequências sérias. Realizado pelo cineasta dinamarquês Nikolaj Arcel, mais conhecido como o argumentista de “Millennium: Os Homens que Odeiam as Mulheres”, este filme acompanha um intenso triângulo amoroso e é baseado no livro de Bodil Steensen-Leth.

A trama do filme carrega, por detrás do contexto romântico, toda uma história política com ênfase no ideal iluminista onde “o homem nasceu para ser livre, e em todo lugar está acorrentado” (citação de Jean Jacques Rousseau).

Passado no século XVIII, o filme, acompanha a história verídica da rainha Caroline Mathilde (interpretada aqui por Alicia ikander). Em 1766, ela conta por cartas aos filhos (que não a conhecem) a história de sua vida onde ela, ainda sendo uma jovem britânica, acaba de se tornar rainha da Dinamarca, após se ter casado com o insano rei Christian VII (Mikkel Boe Folsgaard). Numa viagem pela Europa, a saúde mental do monarca piora a cada dia e um acompanhamento médico torna-se necessário. O alemão Johann Struensee (Mads Mikkelsen) é escolhido e rapidamente conquista a confiança do rei, tornando-se seu confidente e principal conselheiro. Promovido a médico da corte, Struensee também se aproxima cada vez mais de Caroline. Com fortes ideias iluministas, ele acaba por iniciar um intenso relacionamento afetivo com a rainha, o que resulta num secreto caso amoroso e aindan um grande problema na sua vida. Struensee vê-se a meio de um grande dilema onde as consequências políticas de tal relação podem influenciar e acarretar consequências assustadoras para o trono da Dinamarca e ainda abalar a recém aliança entre esse mesmo país e a Inglaterra.

Podemos observar que neste filme, diferentemente de Não Há Duas Sem Três, o ato da traição ganha um tom fortemente político devido à sua época. Ao deixar aflorar os seus sentimentos, tanto a rainha Caroline Mathilde (Alicia ikander) como o seu amante Johann Struensee (Mads Mikkelsen), têm nos seus ombros o peso de interferir, diretamente, na harmonia entre duas nações.

O ato da traição pode assim ser abordado de várias formas, como aquelas descritas acima, mas devemos sempre lembrar-nos que num mundo globalizado, onde pessoas estão conetadas praticamente 24 horas por dia, devemos ter a frieza para analisar tal escolha num contexto individual.

*Artigo enviado por um leitor do Espalha-Factos.