Quinta-feira é dia de estreias nos cinemas portugueses e o destaque desta semana, Hereditário, não é para corações fracos.

Hereditário é a primeira longa-metragem do realizador Ari Arester. Os produtores, por sua vez, não são estranhos ao mundo do terror— a dupla Lars KnudsenJay Van Hoy produziu já The Witch, também da produtora A24. Quanto ao elenco, Toni Collette (Little Miss Sunshine) e Milly Shapiro interpretam mãe e filha, respetivamente. O filme marca a estreia de Shapiro no grande ecrã, após o seu papel no musical da Broadway, Matilda.

Em entrevista ao The Guardian, Collette confessa que não gosta de filmes de terror. Sobre Hereditário, explica que “não é só um filme de terror. É uma história frágil e bonita sobre pessoas que vivem com uma imensa dor emocional.” 

O filme acompanha a família Graham após a morte da sua reservada matriarca, Ellen. À medida que a história avança, vão-se desenrolando acontecimentos cada vez mais estranhos que são acompanhados por luto, ressentimentos e todo o tipo de emoções. Além disso, há paranoia, demónios, piromania e gritos, muitos gritos.

Da tragédia ao pesadelo

Para muitos, Hereditário pode não ser um filme de terror tradicional. Aster explica que procurou escrever um drama familiar e deixar que os elementos de terror partissem daí. “É um filme que, espero, mexe com as emoções das pessoas e se torna um pesadelo. Quis que [o filme] parecesse um pesadelo, do mesmo modo que a vida se parece com um pesadelo quando um desastre ocorre.” 

Ainda assim, a crítica chama-lhe o melhor filme de terror desde O Exorcista. A NME descreve-o como sendo um híbrido de The Shining e Rosemary’s Baby. Talvez Hereditário pertença à mesma categoria de Foge e outros filmes de terror recentes, que se recusam a clichês e marcam uma nova era no género. Uma coisa é certa—o filme já está a fazer história. Só fim-de-semana de estreia tornou-se no mais rentável da A24, arrecadando quase $14 milhões de dólares (quase 12 milhões de euros).