A ministra da Cultura e do Desporto Miri Regev anunciou à Kan, estação pública israelita responsável pela organização do Festival, que “caso a Eurovisão não seja em Jerusalém, não é correto recebê-la em Israel“, avança o Times of Israel.

Se a Eurovisão não for feita em Jerusalém, não me parece correto gastar 50 milhões de shekels (12 milhões de euros) de investimento público“, afirmou a responsável, que é da opinião que o evento está desenhado “para promover o país“.

O Estado de Israel tem uma capital, chama-se Jerusalém, e nós não devemos ter vergonha disso“, afirmou a política.

Anteriormente o jornal Haaretz noticiou que Miri Regev e o colega de governo Ayoub Kara tiveram desentendimentos com a União Europeia de Radiodifusão (UER). De acordo com uma fonte não identificada ouvida pelo jornal israelita, a UER considerou que a governante não estava a cumprir os procedimentos ao fazer comentários sobre a Eurovisão 2019 em Jerusalém ainda antes de qualquer discussão oficial ter começado. Mais tarde, a organização europeia deu garantias de que Jerusalém teria de ser aprovada pelos países participantes.

Ao contrário de Miri, Kara veio afirmar que quer mesmo que o Festival tenha lugar em Israel, ainda que a UER o desloque para outra cidade. O ministro, com a pasta da Comunicação Social, afirmou querer “deixar claro” que o Governo e ele próprio, a título pessoal, não têm “quaisquer objectivos políticos na competição“, sublinhando que, independentemente da cidade, o Festival se irá realizar em Israel e que não deixará “qualquer funcionário prejudicar o modo de decisão da Eurovisão“.

De acordo com o jornal digital Walla, além de Jerusalém estão também a ser consideradas as cidades de Eilat, Tel Aviv e Haifa para receber o evento no próximo ano.

Depois do futebol… que boicotes se seguirão?

Os novos comentários da ministra da Cultura e do Desporto surgem depois de a seleção argentina de futebol ter cancelado a presença em Israel depois de o jogo, inicialmente previsto para Haifa, ter sido transferido para Jerusalém.

O presidente da Federação Palestiniana de Futebol enviou uma carta ao congénere argentino em que sublinhou que “O Governo israelita transformou um jogo de futebol em uma arma política. Como anunciou amplamente a imprensa argentina, a partida será realizada para comemorar o 70º aniversário do Estado de Israel“.

A ministra, responsável pela mudança do local de jogo, tem estado debaixo de críticas e tem sido responsabilizada pelo fiasco. Os bilhetes para a partida, agora cancelada, tinham esgotado em 20 minutos.

Segundo o Haaretz, o secretário-geral do Ministério da Cultura e do Desporto, Yossi Sharabi, afirmou, na sequência deste boicote, que está em causa a Eurovisão em Jerusalém. Declarações secundadas, de forma mais discreta, pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que afirma que, após este revés, “surge a possibilidade de haver pressão para cancelar outros eventos em diversas áreas“.