Alessandro Michele, no dia 30 de maio, apresentou a “morte como um fascínio” na sua mais recente coleção para a Gucci. Através de 114 looks desfilados num cemitério no sul de França, a casa italiana revela-nos o lado obscuro da moda.

Conhecido pela sua irreverência, Alessandro seguiu o exemplo de artistas como Gaugin e Van Gogh, dando vida ao cemitério de Alyscamps como o palco da sua coleção Cruise de 2019. Com uma passerelle delimitada por linhas de fogo, os elementos decorativos incluíam tochas e candelabros, que contribuíram para o espírito vitoriano da coleção.

Ao som de Vespers for the Blessed Virgin, de um compositor italiano do século XVI, a coleção é desfilada num tom fúnebre, quase como uma procissão da moda contemporânea. Viúvas com véus negros, carpideiras, padres, elementos religiosos e buquês de flores, todos estes guccified, como o próprio estilista indica. Vestidos de veludo, brincos vistosos, crucifixos ao peito e um espírito gótico é a proposta da Gucci para 2019.

O ambiente obscuro, e por vezes macabro, da coleção fez-se sentir a partir dos mais simples pormenores. Os bordados de flores e chamas, que se têm tornado emblemáticos nas coleções de Alessandro, foram inspirados em campas escocesas.

Mas nem tudo foi subtil, a colaboração com o Chateau Marmont levou a cabo o fascínio pelos grandes logos e as camisolas gráficas, banalizando este espírito assombrado. Por outro lado, as calças bordadas com o provérbio latim “Memento mori”, que significa “lembra-te que vais morrer”, foram a referência literal que conquistou a plateia inteira do cemitério.

O último look a passar pelas linhas de fogos foi o de uma noiva peculiar. Ao contrário dos restantes 113 modelos que desfilaram com véus na cara, ou até ossos pendurados ao peito, a modelo que fechou o desfile encontrava-se muito mais séria.

Maryel Sousa levava um solene vestido branco, inspirado nas vestes noturnas da corte francesa. Fazia-se acompanhar de um enorme ramo de flores e brincos que lhe passavam dos ombros. Na cabeça levava um chapéu com penas, inspirado em Frank Olive, e ao pescoço um choker com uma cruz. Agora sim, já podemos imaginar como seria A Noiva Cadáver se tivesse sido Alessandro o realizador.

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