A organização do Festival Eurovisão da Canção 2019 em Jerusalém continua em dúvida, devido a ameaças de boicote de vários países que participam habitualmente, avança o jornal Times of Israel

O mesmo jornal acrescenta que a primeira reunião de trabalho entre a União Europeia de Radiofusão (UER) e a televisão pública israelita, a KAN, decorreu com secretismo pouco habitual nestas ocasiões. No entanto, de acordo com o Eurovision Spain, a posição de partida da organização é clara: “Se os países se negarem a participar na Eurovisão 2019, não se realiza em Jerusalém“.

De acordo com o israelita Channel 10, os países que estão a causar maior preocupação são a Islândia, a Irlanda e a Suécia, onde cidadãos e partidos políticos têm apelado a boicotes em solidariedade com o povo palestiniano. No Reino Unido, o Partido Trabalhista e o Partido Liberal Democrata também têm demonstrado ceticismo face à participação do país num evento a realizar-se em Jerusalém.

Os movimentos sociais que defendem o boicote apontam graves violações do direito internacional e dos direitos humanos ao Estado de Israel. A maior prioridade para a UER é, neste momento, conseguir fazer do evento uma festa, sem receber recusas por parte das nações participantes.

As questões religiosas também estão na mira da rede europeia, avança o jornal israelita. Na noite da vitória de Israel, o vice-ministro da Saúde do país, pertencente ao partido ultra-conservador UTJ, escreveu ao ministro da Cultura Miri Regev com exigências de que o evento não viole o Sabat. O dia sagrado da religião judaica acontece desde o pôr do sol de sexta-feira até ao pôr do sol de sábado, o que quer dizer que o jury show de sexta-feira e os ensaios de sábado à tarde representarão uma transgressão desta tradição religiosa.

Nem data, nem lugar

Para já, não há data decidida, nem local para a realização do Festival. As novidades deverão chegar durante o verão, no entanto, numa alteração face ao que tem acontecido anteriormente, quer a delegação israelita, quer o próprio governo do país têm insistido para que o evento aconteça em Jerusalém.

As próximas reuniões entre a UER e a KAN, de avaliação sobre a capacidade da cidade para receber o evento, bem como a reação dos vários países participantes, permitirão verificar se a vontade do poder político será cumprida.

Numa publicação na conta oficial do Festival Eurovisão, que é inédita nos últimos anos, a organização advertiu os espectadores para que não reservem voos enquanto não houver informações oficiais sobre a data e o local da próxima edição.

As duas vezes em que o certame aconteceu no país, decorreu em Jerusalém, em 1979 e 1999. Atualmente, a opção por Tel Aviv tem sido apontada como aquela que pode ser mais consensual, visto ser esta a cidade reconhecida como capital pela maioria dos governos estrangeiros.