Deste mundo e do outro, livro de crónicas de José Saramago, reeditado na passada quinta-feira, dia 17 de maio, pela Porto Editora, chegou às bancas com uma nova imagem.

A caligrafia que assina a capa é da atriz e cineasta Maria de Medeiros

Deste mundo e do outro é uma coletânea de algumas das mais importantes crónicas do Prémio Nobel, escritas para o jornal A Capital entre 1968 e 1969. Publicado inicialmente em 1971, pela Editora Arcádia, foi a primeira reunião de crónicas do autor.

Neste livro, podem ler-se textos como «Carta para Josefa, minha avó», «O meu avô», «O sapateiro prodigioso» e outras histórias de personagens da aldeia natal do autor, Azinhaga, e, ainda, «das pessoas feitas de lágrimas, alguns risos, umas tantas pequenas alegrias e uma grande dor final», segundo nota de imprensa da editora.

Paralelamente, a obra inclui também uma crónica sobre o livro que José Saramago levou para uma ilha deserta: Dom Quixote.

deste mundo e do outro

Foto: divulgação

A dimensão universal e humanista da obra saramaguiana

José Saramago construiu uma obra incontornável na literatura portuguesa e universal, tendo várias livros traduzidos em todo o mundo.

Autor presente em programas escolares, objeto de inúmeros estudos e distinções académicas, José Saramago foi galardoado com importantes prémios literários, como o Prémio Camões, em 1995, e o Prémio Nobel de Literatura, em 1998.

É considerado um dos expoentes máximos da literatura portuguesa contemporânea, com a publicação de mais de 40 títulos, dos quais se destacam Memorial do Convento a Caim, passando por O Ano da Morte de Ricardo Reis, O Evangelho segundo Jesus Cristo, Ensaio sobre a Cegueira, Todos os Nomes ou A Viagem do Elefante.

O autor deixou-nos um importante legado, visível num conjunto de obras literárias marcadas pela sua extraordinária capacidade para reinventar e subverter novos sentidos e temas numa ficção e num teatro que se tornaram referências canónicas da nossa literatura.

Paralelamente, Saramago faz a (re) apropriação de factos e mistura-os com o empírico e o conhecimento do presente, conferindo uma dimensão universal, humanista e coletiva à sua obra.

Sobre o autor

José Saramago nasceu em 1922, na aldeia de Azinhaga.

O seu primeiro livro, escrito em 1947, foi por ele intitulado como A Viúva. Mas, por razões editoriais, acabou por ser publicado com o título de Terra do PecadoEm 1953, terminou o romance Claraboia, publicado após a sua morte.

O escritor foi responsável pela produção na Editorial Estúdios Cor, função que acumulou com a de tradutor, a partir de 1955, e também de crítico literário.

Em 1971, assumiu funções no Diário de Lisboa e, em abril de 1975, foi nomeado diretor-adjunto do Diário de Notícias.

Em 1976, instalou-se em Lavre para documentar o modus uiuendi dos camponeses sem terra, marcando assim o projeto do seu romance Levantado do Chão e o estilo próprio da sua ficção novelesca.

No ano de 2007, foi criada a Fundação José Saramago que trabalha pela difusão e promoção da literatura e pela defesa dos direitos humanos e do meio ambiente. Desde 2012, que esta tem a sua sede na Casa dos Bicos, em Lisboa.

Saramago faleceu a 18 de junho de 2010, em Lanzarote.

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