A banda sonora de 1986, a série da RTP 1 com argumento de Nuno Markl, vai ser tocada esta quinta-feira (17) ao vivo num concerto solidário, na Altice Arena. Quarta-feira (16), o Espalha-Factos foi até Loures, onde decorriam os ensaios para o concerto.

A magia acontece no Estúdio Zeco, um pequeno espaço acolhedor, decorado com guitarras e quadros de lendas da música internacional. O convite foi de prestígio: o EF pode assistir, em estúdio, aos ensaios dos artistas. Estivemos na presença de João SóMiguel Araújo, Catarina Salinas, David Fonseca e, ainda, Tiago Garrinhas (que interpreta Tó na série).

Para além destes artistas, vão atuar outros cantores que também participaram na banda sonora da série. Entre estes, estão nomes icónicos da música portuguesa contemporânea como Ana Bacalhau, Márcia, Lena D’Água e Samuel Úria.

“Os processos com o Nuno Markl são sempre loucos e giros”

Para além dos ensaios, estivemos à conversa com João Só. O cantor português é o dono do estúdio onde decorrem os ensaios. É, também, o compositor de quase todos os temas da banda sonora.

EF: Como foi a experiência geral de gravar este disco? Muito stressante? Compuseste quase todas as músicas…

João Só: Isso é uma pergunta meio ingrata de fazer agora (risos). Neste minuto, estou super stressado porque hoje é a véspera! Mas acho que o processo de tudo isto não foi muito stressante, houve fases mais angustiantes do que outras porque o prazo do lançamento da série estava sempre a mudar. Imagina, começámos a gravar o disco a meio do verão e a série era para sair em setembro e depois foi adiada para novembro e era sempre nisto. Então, tivemos o disco pronto e entregue com imenso tempo, o que também nos deu uma liberdade boa para ainda conseguir ver a série toda já com as músicas. Foi um processo muito giro, como todos os processos com o Nuno Markl. São sempre loucos e giros.

EF: Ao escrever os temas, tiveste de adaptar a tua composição ao âmbito do álbum ou foi algo que te surgiu naturalmente, como quando gravas para um disco teu?

João Só: Imagina, o Nuno mandou-me os guiões e sinopses de várias personagens e tinha de adaptar cada música a uma personagem e isso foi espetacular. Não senti que tivesse de adaptar muito a minha composição a não ser no caso da música que o Samuel Úria canta porque tem lá uma parte tipo Iron Maiden, assim esquizofrénica. Mas acho que foi mais a procura dos sons certos e do ambiente da época – por exemplo, as baladas daquela altura não eram como as baladas de hoje em dia. Essa parte deu um bocadinho mais trabalho em termos de adaptação mas de resto acho que foi tudo natural. Componho relativamente rápido, o que é bom e mau. Neste caso, como se diz, às vezes estás a escrever uma música e parece que se escreve sozinha a certo ponto e neste disco pareceu tudo fácil demais. Foi um exercício muito engraçado. O Nuno Markl dava opiniões e estava sempre interessado em saber que rumo é que as coisas estavam a tomar. Foi um processo muito gratificante, sem dúvida.

EF: E, para amanhã, o que se espera?

João Só: Loucura total (risos)! Vamos tocar músicas do disco e versões. Neste momento, como ouviram, estamos a tocar o Sultans of Swing, por isso…

Esta iniciativa, Concerto por um Novo Futuro, parte da Associação Novo Futuro, que organiza pelo oitavo ano consecutivo um concerto de angariação de fundos. Conta ainda com o Alto Patrocínio da Presidência da República.

O concerto está marcado para as 21h30 na Altice Arena. Os bilhetes estão disponíveis nos locais habituais e os preços variam entre os 10 e os 40 euros.