A Guerra, um livro escrito pela mão de José Jorge Letria e ilustrado pela de André Letria, a editar este mês, propõe interpretar, sem contemplações, o tema da guerra.

José Jorge Letria e André Letria, pai e filho, juntaram-se mais uma vez para levar a cabo um livro ilustrado que retrata a guerra tal como ela é, sem contemplações ou pudores. Esta colaboração de família já fez nascer obras como Lendas do mar (1998), Versos de fazer ó-ó (1999), Os animais fantásticos (2004), Domingo vamos à Luz (2010) ou o mais recente “Se eu fosse um livro” (2011).

Cabendo a edição à Pato Lógico, a obra será apresentada no próximo dia 26 no Palácio da Cidadela, em Cascais, pelo escritor Miguel Real. Simultaneamente, será inaugurada no local uma exposição com as ilustrações de André Letria.

Segundo declarações de André Letria, enviadas ao Notícias ao Minuto, o novo livro partiu de um texto antigo que José Jorge Letria já tinha escrito e que foi sofrendo modificações até chegar a 17 frases sobre a guerra, às quais André Letria deu vida com uma narrativa visual paralela e complementar.

O ilustrador revelou ainda que o livro é “uma reação à acomodação perante as notícias e o mundo em que vivemos. Há uma banalização quando se fala de guerra. Este livro é bastante negro, sem contemplações e sem suavizar as coisas. Mas é para todos [os leitores] apesar da dureza”.

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Foto: Wook

“A guerra não ouve, não vê e não sente. A guerra sabe sempre onde a temem e a esperam. (…) A guerra é e o estrondo e o caos”, é um exemplo do que se pode ler neste livro que tenciona expor a guerra no seu zénite.

André Letria explicou ainda que o que lhe interessa num livro ilustrado é o dualismo, é o conseguir criar um objeto que conte uma história. Para isso, o ilustrador recorreu a elementos de modo a personificar uma ideia de conflito, sem rostos, através de bombas, tanques e aviões de guerra, mas onde existe também um líder que destrói livros, uma floresta dizimada, uma cidade destruída, tudo retratado em tons escuros, castanhos e cinzentos.

É a guerra, dura e crua, exposta em toda a sua nudez.

Afinal de contas, na guerra vale tudo. Já dizia Winston Churchill (citando Cícero) que “em tempos de guerra silenciam-se as leis”.

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