A Queima das Fitas 2018 (QF’18) aconteceu entre os dias 4 e 11 de maio na cidade de Coimbra. Com o intuito de celebrar os finalistas da Universidade de Coimbra, a festa académica deu lugar, entre outras coisas, a muita poeira levantada, a uma grande estreia nacional e até a fogo de artifício. Eis as melhores atuações da semana favorita dos estudantes.

Dia 04 – Scúru Fitchádu

A primeira noite da Queima prometia. No palco principal, estavam agendadas as atuações de Seu Jorge e Blaya que, ambos à sua maneira, encheram o Parque da Canção de espectadores. No entanto, foi no palco da Rádio Universidade de Coimbra que mais pó se levantou.

A receita do Palco RUC é habitual: depois de sets de música eletrónica proporcionados pelos membros da casa, as luzes da ribalta passam para os cabeças de cartaz. Diga-se que a receita é, na maioria das vezes, um sucesso.

Depois de Black Magic e Caucenus aquecerem o ainda pequeno público e dos NU arrebatarem por completo os presentes com uma atuação eletrizante, foi a vez de Scúru Fitchádu, alias de Marcus Veiga, se mostrar na cidade dos estudantes. As condições estavam reunidas: noite amena, céu limpo, público composto.

Marcus Veiga subiu ao palco e não parou quieto. De ferro ao ombro e de faca na mão, Scúru Fitchádu entregou-se por completo aos estudantes que se renderam à sua energia, numa fusão entre o funaná e o punk. Não só este foi o melhor concerto da noite, como dos melhores em toda a Queima das Fitas.

Scúru Fitchádu no Palco RUC da QF’18 (Fotografia: Pedro Dinis Silva)

Dia 05 – Linda Martini

No segundo serão da QF’18, o palco principal acolheu duas bandas já famosas na festa académica da cidade: os Xutos & Pontapés e os Linda Martini. Quanto à atuação dos Xutos, os fãs presentes fizeram-se sentir num dos recintos mais preenchidos de toda a Queima das Fitas.

Os poucos que ficaram para os Linda Martini assistiram a um melhor e mais consistente concerto. Entre temas mais antigos, como Cem Metros Sereia e Panteão (que, aliás, dedicaram aos Xutos & Pontapés), e músicas mais recentes como Unicórnio de Santa Engrácia e Boca de Sal, a banda lisboeta proporcionou uma atuação dinâmica à qual os estudantes responderam de forma bastante positiva.

Linda Martini na QF’18 (Fotografia: Gabriela Moore/Jornal Universitário de Coimbra – A Cabra)

Dia 06 – Iglooghost

Eis o culminar de um cartaz dedicado à diversidade musical. Quando Iglooghost subiu ao Palco RUC, já o público estava quente e bem composto, devido às atuações anteriores de CelesteMariposa e Nídia. A receita de que há pouco se falava torna-se quase uma profecia de tão certo que bate.

Por entre batidas e sonoridades que não parecem deste mundo, o artista irlandês saiu do igloo que lhe dá o nome e deixou os presentes rendidos. Não há muitas palavras capazes de descrever a atuação de Iglooghost, que se estreou em Portugal na Queima das Fitas.

Iglooghost no Palco RUC da QF’18 (Fotografia: Pedro Dinis Silva)

Dia 07 – DJ Oder

Quarta noite de Queima. A tradição manda que esta pertença à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, segundo a hierarquia das faculdades presente no Código de Praxe. Como de costume, o palco principal albergou alguns dos maiores rappers dentro do panorama musical português. Quer Kappa Jotta, quer Mundo Segundo, Sam The Kid e todos os nomes que subiram com eles ao palco, como, por exemplo, NBC e Bispo, puseram o público a cantar em uníssono as letras já conhecidas dos clássicos que apresentaram.

Contudo, a noite azul escura ficou marcada pelas sonoridades eletrónicas. Por um lado, o Palco RUC apresentou um alinhamento de artistas de música techno, com Zanias, Powell e Solution (que substituiu Cindy Looper, que não compareceu por problemas de saúde) a fazer abanar a cabeça dos estudantes. Por outro lado, foi DJ Oder que marcou presença no palco principal depois das atuações dedicadas ao hip hop português.

Com um ritmo acelerado e sempre a pedir barulho, DJ Oder acabou por ser a melhor atuação da noite precisamente por se mostrar presente no recinto. Entre tantos nomes nacionais e internacionais conhecidos, foi o artista e a sua sonoridade drum and bass que mais motivou o público a bater o pé e a dançar.

DJ Oder na QF’18 (Fotografia: Pedro Dinis Silva/Jornal Universitário de Coimbra – A Cabra)

Dia 08 – Dillaz

Depois de uma noite inteira dedicada ao hip hop, chegou a vez de Dillaz pisar o palco principal da QF’18. Habituados às músicas do MC lisboeta, os estudantes não se fizeram rogar e cantaram, do início ao fim da atuação, as letras das canções do artista.

Dillaz “matou a saudade” do público da Queima com temas como Arena, Mo Boy e Não Sejas Agressiva. Pedras no Sapato só ficaram nos poucos que não estiveram para dançar ao som do lisboeta.

Dillaz na QF’18 (Fotografia: Pedro Dinis Silva)

Dia 09 – Vini Vici

No serão do dia 9, o recinto da QF’18 tremeu. Não só por causa das atuações de DJ Souza e Club Banditz, mas sobretudo pela presença de Vini Vici no palco principal do Queimódromo, um dos concertos mais esperados por parte da comunidade estudantil.

Apesar de apenas um dos elementos do duo israelita ter comparecido, a festa fez-se sentir entre o público presente, que vibrou ao som da música trance característica do grupo. Entre clássicos como The Tribe e remixes de temas conhecidos (um deles foi Creep, dos Radiohead), Vini Vici fizeram levantar toda a poeira do recinto com um dos concertos mais irrequietos de toda a Queima das Fitas. Houve até lugar para fogo de artifício durante a atuação.

Vini Vici na QF’18 (Fotografia: Ana Rita Teles/Jornal Universitário de Coimbra – A Cabra)

Dia 10 – Richie Campbell

A penúltima noite da QF’18 foi dedicada à Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação. O público mostrava-se cansado depois de quase uma semana de Queima das Fitas. As boas vibes de Richie Campbell vieram resgatar os estudantes, que ainda dançaram ao som de temas como Best Friend e That’s How We Roll. Contudo, no geral, o serão foi fraco. Valeu ainda a energia da Orxestra Pitagórica, um dos grupos académicos da cidade, que fechou o recinto com já poucas pessoas presentes.

Richie Campbell na QF’18 (Fotografia: Jéssica Gonçalves/Jornal Universitário de Coimbra – A Cabra)

Dia 11 – Daniela Mercury

Vinda diretamente do Brasil, Daniela Mercury entrou no palco principal com uma capa aos ombros que disse ter sido oferecida pelo reitor da Universidade de Coimbra. Estava prevista uma atuação cheia de boa disposição e foi isso que a cantora brasileira ofereceu ao público do Parque da Canção.

Na última noite da QF’18, Daniela Mercury assumiu-se como a verdadeira rainha do Queimódromo, mostrando-se cheia de energia. Preencheu o palco na totalidade ao dançar de um lado para o outro, sempre com os olhos no público. O seu entusiasmo e constante interação com os estudantes valeram-lhe um dos recintos mais agitados da semana, com os presentes a dançarem constantemente ao som de sambas como Nobre Vagabundo e Banzeiro. Graças à brasileira, a festa dos estudantes terminou com chave de ouro e deixou, com certeza, muita saudade.

Daniela Mercury na QF’18 (Fotografia: Pedro Dinis Silva)