A Islândia tem pouco mais de 300 mil habitantes, mas 13.000 já assinaram uma petição contra a participação do país no Festival Eurovisão da Canção 2019, caso este se realize em Israel. Daði Freyr, que ficou em segundo lugar na final nacional islandesa em 2017, e Paul Oscar, que representou o país em 1997, já manifestaram apoio aos peticionários.

A petição em causa foi aberta há cerca de 24 horas e manifesta solidariedade com o povo da Palestina, o que o cantor subscreve. “Não posso pensar em participar na festa que é o Festival Eurovisão de consciência tranquila, enquanto o Estado de Israel e o seu exército usam uma violência terrível contra o povo palestiniano”, escreveu Freyr nas redes sociais.

O protesto surge na sequência dos últimos ataques na Faixa de Gaza e foi lançado pelo islandês Árni St. Sigurðsson, que, dadas as “violações de direitos humanos perpetuadas por Israel contra a nação palestiniano“, considera “antiético participar numa competição glamorosa como a Eurovisão debaixo de um cenário de violência como este“.

Este novo momento de contestação vem assim juntar-se às declarações do irlandês Mícheál Mac Donncha, Presidente da Câmara Municipal de Dublin, que apelou à não-participação da Irlanda no concurso se este se realizar em Israel.

A RÚV, televisão da Islândia, ainda não confirmou oficialmente a participação no próximo ano, mas Skarphéðinn Guðmundsson, diretor de programas, já manifestou interesse: “Espero participar no ano que vem, como todos os anos”.

O responsável pelo canal acrescentou ainda que o anúncio definitivo será feito “no outono“, mas que “a menos que algo mude, estamos a pensar em participar no festival do próximo ano“.

Israel venceu este ano, pela quarta vez, o Festival Eurovisão da Canção. Quer a cantora vencedora, Netta, quer o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, já manifestaram vontade que o evento se realize em Jerusalém, tal como aconteceu em 1979 e 1999.