O poeta cabo-verdiano Mário Fonseca e o argentino Jorge Luis Borges vão ser homenageados na segunda edição do Festival de Literatura-Mundo do Sal. De 21 a 24 de junho, o festival decorre na ilha do Sal (Cabo Verde).

Este festival é promovido pela Câmara Municipal do Sal e é organizado pela editora Rosa de Porcelana, com curadoria do escritor português José Luís Peixoto.
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Foto: divulgação

A primeira edição, que decorreu no ano passado, juntou na ilha cabo-verdiana meia centena de escritores, tradutores, jornalistas e investigadores, tendo como homenageados o poeta cabo-verdiano Corsino Fortes e o escritor português José Saramago.

O festival

Os principais objetivos do festival são refletir, debater o alargamento dos cânones literários, dar visibilidade às várias literaturas dos países, assim como inscrever Cabo Verde na rede internacional da Literatura e também promover o diálogo e a interação entre participantes e lançamentos de livros.

A organização disponibilizará brevemente a lista de participantes e o programa detalhado do evento.

Da primeira edição, recorda-se a participação da santomense Inocência Mata, dos cabo-verdianos Germano Almeida, Arménio Vieira e José Luís Tavares, assim como do brasileiro Sérgio Rodrigues.

Mário Fonseca

Mário Alberto de Almeida Fonseca (1939-2009) deixou uma vasta obra literária publicada em revistas, jornais, como o Boletim de Cabo Verde, a folha literária Seló, que fundou nos anos 60 com os poetas cabo-verdianos Arménio Vieira e Osvaldo Osório.

Entre as suas obras, figura o livro de poesias O Mar e as Rosas, que foi confiscado em Lisboa, em 1964, pela polícia política portuguesa, aquando do encerramento forçado da então Associação Portuguesa de Escritores.

Ao longo dos muitos anos em que foi obrigado a viver longe do seu país devido à sua oposição ao regime colonial, o escritor trabalhou como professor de francês no Senegal e tradutor na Mauritânia e na Turquia.

De regresso a Cabo Verde, o escritor colaborou ativamente em quase todos os jornais e revistas que circularam no arquipélago após a sua independência, em 1975.

Mário Fonseca exerceu ainda vários cargos de responsabilidade em instituições ligadas à cultura.

Jorge Luis Borges

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Foto: Flickr

Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (1899-1986) foi um escritor, poeta e tradutor, natural da Argentina.

Em 1921, o escritor começou a publicar os seus poemas e ensaios em revistas literárias surrealistas e trabalhou ainda como bibliotecário e professor universitário. Em 1955, foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional da República Argentina e ainda professor de literatura na Universidade de Buenos Aires.

Em 1961, destacou-se no cenário internacional quando recebeu o primeiro prémio internacional de editores, o Prémio Formentor Internacional, em conjunto com o dramaturgo Samuel Beckett. No mesmo ano, recebeu do então presidente da Itália, Giovanni Gronchi, a condecoração da Ordem do Comendador.

As sua sobras foram amplamente traduzidas e publicadas na Europa e nos Estados Unidos.

Para homenagear o autor, o escritor Umberto Eco criou, no seu romance O Nome da Rosa, a personagem Jorge de Burgos, que, para além da semelhança do nome, é cega, assim como Borges foi ficando ao longo da vida. Além da personagem, a biblioteca que serve como plano de fundo do livro é inspirada no conto de Borges A Biblioteca de Babel. Esta biblioteca era universal e infinita, abrangendo todos os livros do mundo.

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