Os Beach House são uma daquelas bandas cujo som é facilmente reconhecível. Incorporando o membro de uma família que oferece previsivelmente sempre a mesma prenda, a duo dream-pop nunca foge da sua doçura sónica, mesmo que a expanda (como fez em Teen Dream e Bloom) ou a torne subtil (evidente nos dois álbuns mais recentes, Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars). A sétima prenda de Beach House, 7, é concebida com um espírito de confiança até então escondido.

Todo este novo trabalho é um abraço bem apertado do íntimo à ambição. Perdura a sensação de redescoberta de um lugar ou de uma emoção que é familiar mas ganhou uma noção de quem e do que realmente é e pretende ser. Dark Spring explode sem desculpas e inicia 7 em excelentes ânimos com a voz de Victoria Legrand a camuflar-se na instrumentação que elegantemente embrulha o ouvinte em si. Na verdade, o mesmo pode ser dito em relação a praticamente todas as restantes faixas deste álbum.

Pay No Mind e Lemon Glow são canções simples mas com um núcleo de mistério arrojado e convidativo. Tal como acontece em Dark Spring, Lemon Glow guarda em si uma lufada de ar fresco. O coração das três primeiras músicas é enriquecido e atinge patamares de maior escala em L’Inconnue, Drunk In L.A. e Dive. Cantada por vezes em francês, L’Inconnue consegue replicar uma divina abertura dos céus ao som do canto de anjos enquanto que em Drunk In L.A. e Dive há um nevoeiro cuja dissipação revela um pequeno sorriso de Beach House que parece querer transmitir que sabe o que está a fazer e o quão bem o está a conseguir.

Até a última faixa de 7 surgir, a grandiosidade do acontecimento diminui e dá lugar a um ritmo mais calmo, equiparável ao derretimento de uma vela. Até ela derreter por completo, a intriga da melodia de Black Car, o calmo embalo acústico de Lose Your Smile e o uso fantasmagórico de samples em Woo são os momentos que nos acompanham.

Girl of the Year e Last Ride compõem a banda sonora da lenta e atmosférica despedida de 7. Ambas as músicas não procuram ser ampliadas mas sim abertas e observadas com cautela. Como se estivéssemos a ver um embarque de um cruzeiro em câmara lenta, sente-se um conforto que não pretende ser descritível mas sim exclusivamente audível. Não há vestígios de dúvida: estamos perante um álbum de proporções criativas magníficas.

Nunca se viu uma antonímia tão encantadora e entusiasmante como 7 no universo dos Beach House. A timidez da introspeção do duo entra em união com uma convicção calculada e perspicaz que é capaz de captar uma natureza emotiva pura e crua que pede um lugar na imaginação de cada um de nós. É um pedido francamente difícil de recusar.

A alma artística de Victoria Legrand e Alex Scally recebe, assim, uma renovada relevância com a sábia conjugação do sossego e desassossego por parte de 7 que confirma o consistente embelezamento da discografia do par de músicos.

Pontuação: 9.0/10