Tinha acabado de vencer e já anunciava: “Vemo-nos para o ano em Jerusalém“. Netta deu o tiro de partida, mas Benjamin Netanyhau não perdeu tempo para sublinhar. “No próximo ano em Jerusalém”, lê-se num tweet feito depois da meia-noite, que inclui também o vídeo de consagração da vencedora. 

As declarações de ambos os protagonistas surgem numa altura em que a polémica sobre a ‘cidade eterna’, disputada pelos territórios de Israel e Palestina, está muito acesa. Donald Trump anunciou no final de dezembro reconhecer Jerusalém como capital indissolúvel do Estado hebraico, originando fortes protestos entre os palestinianos e reprovação internacional.

Jon Ola Sand, supervisor executivo do Festival Eurovisão da Canção, pôs para já água na fervura e sublinhou, em conferência de imprensa, não estar definida “nem cidade, nem data“. Dirigindo-se ao chefe da delegação de Israel no concurso, a quem entregou uma “pasta de boas-vindas” com informação inicial, anunciou que em breve se dirigirá ao país para “discutir a próxima edição“.

Netta sagrou-se, em Lisboa, a vencedora da 63.ª edição da Eurovisão. É a quarta vitória para os israelitas, que já subiram ao pódio em 1978, 1979 e 1998. Em 1979 e 1999, o Festival decorreu em Jerusalém, enquanto que em 1980 foi a cidade de Haia a escolhida para receber o evento, depois de o país ter declinado a oportunidade de organizar o concurso.

Esta vitória junta-se à celebração dos 70 anos do nascimento do Estado de Israel, que decorre na próxima segunda-feira, dia 14 de maio. Este Estado foi proclamado em 1948, no fim do mandato britânico na Palestina, pelo presidente do Conselho Nacional Judaico, David Ben Gourion.

Atualmente, as conversações de paz internacionais para um acordo global, que deveria implicar uma solução de dois Estados, judeu e palestiniano, que conviveriam lado a lado e partilhariam a capital, permanecem bloqueadas.