Falar de Eurovisão é não só falar de música, espetáculo, mas também de moda. Pela primeira semifinal, passaram 19 canções e 19 looks, que escrutinamos aqui. Veremos se os closets dos concorrentes estão de tão boa saúde, quanto o concurso, este ano acolhido por Portugal.     

As quatro apresentadoras, Daniela Ruah, Sílvia Alberto, Catarina Furtado e Filomena Cautela, apostaram em criadores nacionais. Escolhas versáteis, entre as quatro, que promovem não só o talento de quem cria em Portugal, neste caso Carlos Gil, Storytailors, Nuno Baltazar e Alves/Gonçalves, como diferentes tipos de silhueta.

1#Azerbaijão

Azerbaijão ou a reinterpretação da noiva em fuga? O look vestido por Aisel poderia perfeitamente ser patrocinado por uma daquelas marcas como a Penhalta ou a Pronovias, mas o orçamento fez com que a saia e os sapatos ficassem em casa. Isso, ou venderam para conseguirem alojamento para a comitiva em Lisboa, não estivessem os preços do arrendamento tão altos!

2#Islândia

Parece que os islandeses apostaram tudo aquilo que tinham em bordeaux, possivelmente um rolo de tecido que lá tinham por casa, para gastar e fazerem de Ari Ólafsson um boneco de neve. Piadas à parte entre apelido de Ari e o boneco Olaf, do filme de animação Frozen, o styling feito aquele que poderia ser um fato branco, aborrecido e de noivo, foram salvos com uma bela camisola de gola alta, adivinhem de que cor? Bordeaux! Relembrem só a comitiva islandesa que estamos em maio e que já não é muito boa altura para se utilizarem camisolas de gola alta.

3#Albânia

Toque de emo? Punk? Gótico? Tudo junto e ao mesmo tempo? Mas com uma camisa branca, para dar um toque formal à coisa? Foi esta a estratégia da Albânia, não fosse a imagem do seu representante estar completamente desatualizada e a dispensar comentários. Acredito que hoje terei pesadelos com aquela manga direita do casaco de Eugent Bushpepa.

4#Bélgica

Com um simples vestido preto, nunca me comprometo, já dizia Ivone Silva e com razão. O look escolhido por Sennek parece a escolha acertada para a sua performance: intimista. O vestido, que joga com transparências e texturados, é completamente protegido pelo longo cabelo da cantora, que acaba por dar o apontamento que é necessário ao despojamento da artista belga. Nota 10!

5#República Checa

Sou um fã incontornável das calças à pescador, mas adotar um estilo nerd em palco, será que já não está demasiado visto? Não estará o público farto da imagem de menino saído do Glee e que encontra na música o seu refúgio, contrastando a sua imagem acertada com o tipo de música que faz, mais rebelde? Desenxabido, aqui o têm.

6#Lituânia

Etérea, é como poderei definir este coordenado. Com um visual simples, despojado mas eficaz, não é que Ieva Zasimauskaitė optou por uma malha? No geral, o look de cores claras acaba por funcionar relativamente bem na palidez da concorrente lituana, que acaba por deixar que cabelo e roupa fluam pelo palco da capital portuguesa.

7#Israel

Netta, Netta, Netta… Se, por um lado, TOY é uma das minhas canções favoritas nesta Eurovisão 2018, por outro, o look deixa muito a desejar. Este kimono, que foi transformado em vestido, armado com uma saia em tule e seguro por um corpete preto com brilhantes… Não me pareceram a escolha correta. Muito menos se tivermos em consideração o biótipo da cantora e o facto da imagem, apesar de divertida, não a favorecer muito em algumas partes do seu corpo, que são destacadas em detrimento de outras, mais resguardadas.

8#Bielorrússia

Eu nem tenho palavras para descrever este look. De frente, umas básicas calças pretas e camisa branca, atreveria-me até a dizer que para mim seria uma versão beta de um look pirata. O problema foi quando a câmara captou as costas da camisa, coberta de rosas desenhadas. Influência Dolce & Gabbana? Não me parece. Terrífico, é a única palavra que me assiste para o descrever.

9#Estónia

O corpete parece uma peça muito interessante. Na verdade, não podemos dizer que a delegação da Estónia tenha pensado muito no guarda-roupa, uma vez que a saia é o centro da atuação, a par da cantora. Mas se tivermos em consideração a dimensão da saia e o facto de todas as projeções que nela foram efetuadas, é um look que tal como a atuação, causa impacto. Nota 10, novamente!

10#Bulgária

Cinco pessoas vestidas em básico negro, um pequeno regresso aos Black Eyed Peas e uma rapariga que se assemelha à Sia. Sobre os looks pouco há para dizer, uma vez que por vezes é difícil conciliar cinco estilos e gostos diferentes. Tenho para mim que aquela espécie de armadura, vestida pela pseudo-Sia, é um revivalismo dos enchumaços dos anos ’80.

11# ARJ da Macedónia

Tanto teve de má a atuação, quanto o look levado pela Macedónia. Se o fuscia parecia ser uma aposta garrida e viva, a verdade é que o modelo não ajudou muito e acabou por não favorecer a representante deste país. Já para não falar dos back vocals, que tinham um look em preto e vermelho, que também em muito pouco as favorecia.

PODERÁS LER TAMBÉM: EUROVISÃO 2018: VÊ OU REVÊ TODAS AS ATUAÇÕES DA 1.ª SEMIFINAL

12#Croácia

Se vos disser que a Luciana Abreu já vestiu algo idêntico a isto, numa cerimónia dos Globos de Ouro, vocês não irão acreditar. Mas a verdade é que sim. Franka, uma das candidatas mais bonitas entre os 43 países a concurso, pode não ter conseguido um lugar na final, mas ficará certamente na lista das mulheres mais bonitas que já passaram pelo concurso.

13#Áustria

Eu tenho um gosto particular em ver africanos vestidos de tons prata, ao contrário dos clássicos dourados. Acredito que favorecem e salientam a beleza da pele, o que foi conseguido neste look cinza e prateado, ainda que muito modesto, de Cesár Sampson. Por vezes a neutralidade de tons é uma boa arma, para o público ter como principal enfoque a canção.

14#Grécia

Aqui voltamos ao clássico da noiva em fuga de que vos falei na atuação do Azerbaijão. Mas parece que os gregos não gastaram o dinheiro todo na parte de cima do vestido e conseguiram levar a sua representante vestida da cabeça aos pés. Um simples vestido branco, com uma abertura abaixo da linha do tórax e com umas mangas esvoaçantes, com as quais a cantora tentou brincar e dançar, falhando.

15#Finlândia

Um mix entre Kátia Aveiro com bailarinos que parece que saíram do videoclip da música Alejandro, da Lady Gaga. Contudo, parece que o fato de patinadora que vestia a representante finlandesa e os acessórios BDSM dos bailarinos, ainda que mesclados com fatos clássicos cinzentões e aborrecidos, garantiram uma passagem para a final.

16#Arménia

Estranhamente gostei daquilo que vestia Sevak Khanagyan. Um visual contemporâneo, diferente daquilo a que estamos habituados de ver num homem neste tipo de competição, e bem sei que já tivemos homens de vestido. O cantor arménio apostou num total look preto e ainda que pareça um pouco amarrotado, gostava de ter este coordenado para mim!

17# Suíça

Sinto que estou a ver uma recriação da Alanis Morissette ou da Shakira, em Whenever Wherever. O look parece ter recuperado um pouco da estética cowboy ou aquilo que se esperava ser uma imagem mais vaqueira, mas ficou muito aquém. Atrevo-me a dizer que parece que recuperou algumas das piores coisas do princípio dos anos 2000, só lhe faltou o cinturão com a fivela maxi.

18#Irlanda

Conjuntos de ir à escola. Nem consigo acrescentar muito mais palavras. Por muito joviais e frescos que pareçam, um evento como a Eurovisão pede um pouco mais de cuidado com a imagem. Durante esta semifinal vimos exemplos diferentes de como interpretar a moda masculina e parece que a Irlanda terá que pedir uns conselhos aos outros países…

19# Chipre

Tudo me parecia muito bem conseguido na atuação de Eleni Foureira, que levou Fuego até Lisboa. Não fosse aquele mini bolero em pele falsa, com que implico pessoalmente desde que o vi. Não acrescenta nada ao macacão que a cantora veste, assim como não tem qualquer tipo de nexo com o coordenado. Para uma maior felicidade pessoal, era retirá-lo até na performance da final e deixar o palco alfacinha pegar fogo!