Esta segunda-feira (7), decorreram os primeiros dois ensaios gerais para a Semifinal 1 do Festival Eurovisão da Canção, onde tudo aconteceu como no espetáculo a sério. Como não queremos que sejas apanhado desprevenido, ou desprevenida, avisamos-te já o que é que não podes perder… e o que podes guardar para aquela pausa quando acabarem as pipocas ou precisares de ir à casa de banho.

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A não perder

Bélgica: Sennek – A Matter of Time

Sennek entra em Lisboa pelo Tejo e vai entrar a matar pelos vossos televisores. A ‘bondish’ Matter of Time ainda soa melhor agora do que soava nos ensaios técnicos. O staging é elegante, mas a força está principalmente do lado da canção e da interpretação. A prestação vocal é irrepreensível e a interpretação muito adequada.

Num ano de disputa especialmente difícil, entendemos porque é que esteve entre as favoritas da Eurovisão durante tanto tempo. Luxo e charme em 3 minutos.

República Checa: Mikolas Josef – Lie To Me

O recuperado Mikolas Josef tem aqui uma das canções de maior apelo pop e juvenil do ano… e esbanja carisma. Pharell Williams pode estar orgulhoso do legado que deixa na música europeia. E parece-nos praticamente certo que os checos vão à final pela segunda vez em seis participações. As acrobacias ficaram para trás, mas a música está intacta e deixa-nos com vontade de abanar a anca.

Israel: Netta – Toy
Israel Eurovisão

Fotografia: Eurovision.tv

Israel é favorita e, reza a lenda, isso pode não ser muito bom na altura em que chegamos aqui. As expectativas estão muito elevadas para Netta, mas ela está mais do que preparada para isso. Na arena, a mensagem de empoderamento feminino ressoa ao mesmo tempo que se sente um clima de festa contagiante. A interpretação e presença peculiares da cantora israelita vão, de certeza, cativar o televoto. E, por aqui, na Altice Arena, já deixaram o público eletrizado. No fim, o palco enche-se de bolinhas de sabão e Netta termina em desempenho vocal fortíssimo. Não há travessura que tire Israel da final da Eurovisão.

Estónia: Elina Nechayeva – La Forza
Estónia Eurovisão

Fotografia: Eurovision.tv

A Estónia, em crescimento nas apostas, é recebida com muito entusiasmo pela arena. A elegância de Elina junta-se ao charme desta ópera-pop em perfeita sintonia. Virtuosismo e originalidade no staging, que conta com um mega vestido que vai mudando de aparência graças a projecções que acompanham as várias fases da música, são motivos suficientes para não quereres perder isto em direto.

Suíça: Zibbz – Stones
Suíça Eurovisão

Fotografia: Eurovision.tv

A Suíça serve-nos o rock dos Zibbs com maestria televisiva e musical. Ela canta bem, tem presença para dar e vender. Parece que Alanis, Madonna e Shakira se encontraram no mesmo corpo para uma performance arrasadora. Stones vai levar a arena à apoteose e, televisivamente, não perde nenhuma da energia original. De repente isto deixou de parecer um concurso e parece um concerto em nome próprio.

Chipre: Eleni Foureira – Fuego
Eleni Foureira Chipre Eurovisão

Fotografia: Eurovision.tv

O Chipre fecha o desfile de canções e estamos perante a favorita improvável e, de longe, a mais aclamada na sala de imprensa. Eleni conquista o maior aplauso da tarde e surge poderosa para uma canção que nos faz voltar a 2003, 2004 ou 2005, quando poderosas divas pop nos serviram canções uptempo recheadas de sons tradicionais e atitude dominadora.

Helena Paparizou deve ver isto com um brilhozinho nos olhos. Impressionante qualidade vocal em conjugação com coreografia exigente. A primeira vitória do Chipre nunca pareceu tão provável. Music is feeling… with fireworks.

A esquecer

Islândia: Ari Ólafsson – Our Choice
Islândia Eurovisão

Fotografia: Eurovision.tv

A Islândia apresenta a balada mais discreta da noite e, provavelmente, nem o sorriso encantador de Ari Ólafsson vai ser capaz de te manter de olhos colados à televisão. A atuação é muito simples e clássica, tal como a própria música, que é muito semelhante a muitas outras canções que já vimos noutras edições do festival. Arranca um dos agudos mais seguros da noite, mas é só lá para o fim. Podes fazer uma pausa enquanto a coisa não desenvolve.

Bielorrússia: Alekseev – Forever
Alekseev Bielorrússia Eurovisão

Fotografia: Eurovision.tv

A atuação da Bielorrússia fica para a história como uma atuação que bate recordes de âmbito kitsch. Alekseev mistura uma performance vocal muito segura com excessos cenográficos de revirar os olhos. Damos duas pistas: Ele ‘rebenta’ em rosas a meio da canção, e termina a música com uma espécie de tatuagem de rosas cravadas nas costas. Podes ver, mas por tua conta e risco.

ARJ Macedónia: Eye Cue – Lost and Found

A Macedónia calhou na piscina dos grandes e não consegue ir nadar até à parte funda. Lost and Found é uma boa música, mas nada nesta atuação consegue dar-lhe o destaque que ela poderia alcançar.

As linhas de baixo dão-lhe um swing diferente, mas a performance não consegue tirar partido do potencial sedutor da canção. A vocalista dos Eye Cue parece, em muitas ocasiões, desconfortável na sua própria pele. Há uma troca de roupa a meio, para uma camisola que insulta todos os princípios elementares de bom gosto. Sim, a que está na imagem. Na parte final da música, a voz principal parece sem fôlego. E nós também já não aguentamos mais.

Arménia: Sevak KhanagyanQami
Arménia Eurovisão

Fotografia: Eurovision.tv

A Arménia traz mais uma balada tradicional, mas é isso mesmo, mais uma. Sevak cumpre, com segurança, aquilo que a interpretação pede, mas a canção nunca nos dá mais do que aquilo que esperávamos dela. É um país a cumprir presença e nós passamos bem sem isso.

Na mesma semifinal, a canção grega, Oniro Mou, interpretada magistralmente por Yianna Terzi, é muito melhor neste género. Se as colocamos lado a lado, é fácil perceber qual é que está a mais aqui.