Este ano não haverá Nobel da Literatura. Alegados escândalos sexuais, em que se encontram envolvidos membros da Academia Sueca, impedem a entrega do prémio mais desejado pelos autores e amantes da escrita.

A Academia Sueca, responsável pela seleção do autor vencedor, comunicou esta sexta-feira que a atribuição do Prémio Nobel, respeitante ao ano atual, vai ser adiada e entregue apenas em 2019. O motivo são os alegados abusos sexuais e escândalos financeiros de determinados membros da Academia.

O Nobel da Literatura, atualmente avaliado no valor de nove milhões de coroas suecas (863 mil euros) foi, tal como os das restantes categorias, sete vezes não atribuído durante as guerras mundiais do século passado – em 1914 e 1918, em 1935, e depois em 1940, 1941, 1942 e 1943 – mas nunca por outros motivos.

As razões para esta decisão

Com o ano de 2017 a fechar repleto de notícias sobre escândalos sexuais nas mais diversas áreas, 2018 não fica atrás e desta vez está em causa a entrega do Prémio Nobel da Literatura.

Segundo a rádio pública sueca, várias pessoas do Comité Nobel e da Academia Sueca consideraram que o prémio não devia ser concedido este ano para dar tempo à instituição, de forma a cicatrizar as feridas e recuperar a confiança da opinião pública.

O escândalo que fez com que a Academia tomasse esta decisão rebentou em novembro do ano passado. A denúncia anónima feita por 18 mulheres e publicada pelo jornal Dagens Nyheter, alegava que o dramaturgo Jean-Claude Arnault – ligado à Academia através do seu clube literário e marido de um dos seus membros, Katarina Frostenson – teria abusado e agredido sexualmente estas cidadãs.

Por este motivo, a Academia cortou todas as relações com Arnault e encomendou uma auditoria independente sobre as suas relações com a instituição. No entanto, após as divergências internas que a medida adotada causou – acusações, despedimentos e saída de cinco membros da Academia (entre os quais, Katarina Frostenson e a secretária permanente em exercício, Sara Danius) -, o relatório rejeita qualquer tipo de influência de Arnault sobre as decisões tomadas relativamente aos prémios e subsídios atribuídos.

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Porém, o relatório confirma que o apoio económico dado ao dramaturgo viola totalmente as regras de imparcialidade, visto que a sua mulher era coproprietária da empresa que geria o clube literário, mostrando ainda que a confidencialidade sobre o vencedor do Nobel fora diversas vezes violada.

Com as últimas cinco saídas da Academia Sueca (somadas à ausência de duas autoras que a boicotam há anos, por outros motivos) a instituição apresenta, assim, apenas 11 dos 18 assentos a serem ocupados, menos um que os necessários para eleger novos membros e tomar decisões, como as relativas ao Nobel.

Contudo, os membros que continuam a ocupar o seu lugar na instituição decidiram anunciar algumas reformas dos estatutos em vigor, de entre as quais se destaca a possibilidade de renúncia efetiva dos membros, feita pelos próprios (por decisão pessoal) ou após dois anos sem participarem ativamente na Academia, além de poderem vir a ser substituídos.

Isto porque, até agora, as renúncias são apenas simbólicas, visto que a pertença à Academia é vitalícia e só são eleitos novos membros quando vaga alguma cadeira por morte do respetivo ocupante.
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