No último fim-de-semana de abril, Cem Soldos, a aldeia do concelho de Tomar que todos os anos recebe o festival Bons Sons, voltou a abrir os seus braços à música. Desta vez, contudo, o festival de que se ouve falar é o Por Estas Bandas. A ideia é um concurso de bandas de várias regiões do país, uma por cada ano, que vão competir com bandas do Médio Tejo, região residente. Deste fim-de-semana, sai uma banda vencedora, que depois toca no dia da receção ao campista do Bons Sons.

Este ano, o Médio Tejo levou Siul Sotnas, Coiote e Os Zhéróis 2.1 como participantes. Coimbra apostou em Raquel Ralha & Pedro Renato. Houve ainda tempo para as atuações de Birds Are Indie e DJ Rui Ferreira.

Por Estas Bandas

O festival começou sexta, dia 27, com um concerto de Miguel Estrada & Os Cobra Cega como warm-up.

No dia 28, sábado, o festival iniciou-se com uma conversa no auditório para o público que se encontrava já em Cem Soldos à tarde. O tema foi Da Criação à Reprodução. Contou com nomes como Sara Feio, CarlosBb António, Ricardo Jerónimo, Miguel Newton e Bruno Rocha como oradores e, como moderador, Fausto da Silva (Rádio Universitária de Coimbra).

O tema principal foi a música portuguesa para músicos portugueses, passando por várias abordagens e temas, desde a imagem e distribuição ao agenciamento e produção de festivais. Todas as fases da conversa foram acompanhadas de perspetivas diferentes, uma vez que os intervenientes vinham, eles mesmos, de papéis distintos, desde a ilustração até à produção musical ou organização de concertos e festivais. Houve ainda tempo para alguma participação do público, eles próprios vindos também do panorama da música portuguesa. Tudo junto, foi uma conversa sobre e para a música portuguesa. De seguida houve uma showcase dos LODO, banda reincidente no Por Estas Bandas.

Batalha de bandas

Do auditório viajamos para a Sede SCOCS, onde algumas horas depois começa a batalha das bandas. A inaugurar o Palco Médio Tejo ouvimos Siul Sotnas. A sonoridade era marcada por aquilo que pareceu uma amálgama de influências distintas, que tanto iam desde um som mais psicadélico e etéreo, até ao rock popular que facilmente poderíamos ouvir na rádio.

Segue-se Raquel Ralha & Pedro Renato, no Palco Coimbra. A voz feminina com instrumental de fundo feito em computador fez com que o som do concerto tivesse potencial, sem se sentir muito a energia do desenvolvimento sonoro. A sonoridade foi contínua e mantida ao longo do concerto, sem grandes explosões ou momentos baixos. Até houve espaço para um cover de Pink Floyd, completamente adaptada ao estilo da banda e quase irreconhecível para quem não ouvisse a letra.

De seguida, voltámos ao Palco Médio Tejo para ouvir Coiote. Foi-nos apresentado uma sonoridade pop rock sem grande novidade ao género, mas que deu ao público uma energia familiar e acolhedora. A banda de Abrantes, que referiu aquele como um dos seus primeiros concertos, brindou-nos com sons frescos e efusivos.

Voltando ao Palco Coimbra, mas já fora da competição, ouvimos Birds Are Indie. Com um ritmo extremamente dançável e agitada, a banda apresentou-se afável e acolhedora. O público, contudo, estava falador, algo que a banda de Coimbra não levou a mal, chegando até a interromper o concerto para cantarem os parabéns a um espectador, à meia-noite. Agradeceram a toda a gente que não ficou em casa nessa noite a ver televisão e se deslocou a Cem Soldos para ouvir música, tocando de seguida Instead of watching telly.

Ainda na competição, faltava apenas ouvirmos Os Zhéróis 2.1. Foi o concerto com mais participação do público, havendo até mosh com algumas pessoas. Num momento alto óbvio da noite, a banda acolheu o público com um à-vontade genuíno e cru, que se transpôs facilmente para a música. Tocaram canções originais, com um som rock, cheio e completo, marcado por ritmos algo dançáveis e melodias que ressoaram nos nossos ouvidos até ao final da noite.

Acabada a competição, foi altura do DJ Rui Ferreira subir ao Palco Coimbra, que deu ao público rock clássico e o pôs a dançar até altas horas.

Os grandes vencedores foram Os Zhéróis 2.1. A banda de Ourém vai tocar, assim, no dia da receção ao campista da edição de 2018 do festival Bons Sons.

O Por Estas Bandas acabou com grande expectativa para o Bons Sons. Há também uma sensação geral de dever cumprido, tanto por parte das bandas que do festival fizeram parte, como para o público, que tem uma oportunidade única de conhecer este tipo de projetos emergentes que vão dar muito que falar à medida que crescerem.